A produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril na comparação com o mês anterior, registrando o quarto resultado positivo consecutivo, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (3). Em março, o setor apresentou alta de 0,1%.
O desempenho veio acima das expectativas do mercado, que projetava crescimento de 0,5% para o período.
Com o resultado de abril, a indústria acumula expansão de 1,7% neste ano e registra um crescimento de 2,7% na comparação anual, enquanto o avanço acumulado em 12 meses alcança 0,7%.
Apesar da recuperação observada nos últimos meses, a produção industrial ainda permanece 12,9% abaixo do recorde registrado em maio de 2011. Por outro lado, o nível de atividade já está 4,7% acima do patamar observado em fevereiro de 2020, antes dos impactos da pandemia de Covid-19.
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Segundo análise de Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado de abril confirma que a atividade industrial segue aquecida no início do segundo trimestre. Nesse cenário, ele destaca que o movimento das indústrias extrativas reflete em parte o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a produção de petróleo bruto e gás natural, fator de natureza essencialmente transitória.
Para os próximos meses, “ainda esperamos alguma desaceleração à frente, vindo de um primeiro trimestre muito forte, o PIB do segundo trimestre deve apresentar ritmo mais moderado, à medida que esses impulsos pontuais se dissipam”, avalia o especialista.
Maioria dos segmentos da indústria segue em alta
Dos 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 14 ampliaram a produção em abril. Os maiores impactos positivos vieram das indústrias extrativas e do setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, ambos com crescimento de 3,1%. As duas atividades registraram o quinto mês consecutivo de expansão.
Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, os principais fatores por trás do avanço das indústrias extrativas foram o aumento da produção de petróleo bruto, gás natural e minério de ferro. Já no segmento de derivados de petróleo e biocombustíveis, os destaques foram o álcool etílico e os derivados de petróleo, especialmente o óleo diesel.
Outras atividades que contribuíram para o resultado positivo da indústria em abril foram:
- Produtos de madeira: alta de 8,5%
- Produtos têxteis: avanço de 4,1%
- Produtos de borracha e material plástico: crescimento de 3,1%
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: alta de 2,2%
O economista do Daycoval, Antonio Ricciardi, avalia que apesar da recuperação nos últimos meses, a indústria ainda está com desempenho contido nos itens mais cíclicos, ou seja, nos mais sensíveis à política monetária, que está em patamar contracionista. Nesse contexto, o especialista prevê que a indústria de transformação deve ter um desempenho mais fraco, aquém do esperado e não deve mostrar grande dinamismo este ano.
Ele destaca ainda, como risco positivo para essa projeção, o programa do governo Move Brasil, que entra em vigor em junho, voltado a conceder crédito subsidiado para a aquisição de veículos durante 120 dias.
O economista também salienta que a taxa de juros exerce um efeito negativo sobre a indústria de transformação, enquanto a indústria automobilística deve ter um desempenho positivo diante do impacto do programa do governo voltado especificamente para o setor.
Com relação à indústria extrativa, espera-se um bom desempenho durante o ano, o que deve impulsionar o desempenho da indústria como um todo.
Produção industrial nos setores químicos e farmacêuticos recua
Entre os 11 segmentos que tiveram retração na produção, a principal influência negativa veio da indústria química, que recuou 3,9% em abril, alta de 4,5% em março.
Também apresentaram desempenho negativo:
- Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: queda de 6,0%
- Máquinas e equipamentos: recuo de 2,9%
- Veículos automotores, reboques e carrocerias: baixa de 0,7%
- Metalurgia: retração de 1%
Esses segmentos reduziram parte do ganho observado na indústria como um todo durante o mês.
Bens intermediários têm o melhor desempenho na produção industrial de abril
Na análise das grandes categorias econômicas, os bens intermediários apresentaram o melhor desempenho em abril, com crescimento de 1,5%. Essa categoria reúne produtos utilizados como insumos em processos produtivos de outros setores da economia. Foi o quarto avanço consecutivo do segmento, que acumulou expansão de 6% nesse período.
O setor produtor de bens de capital, formado principalmente por máquinas e equipamentos utilizados para ampliar a capacidade produtiva das empresas, também registrou resultado positivo, com alta de 0,1%. Com isso, o segmento manteve a trajetória de crescimento iniciada em janeiro de 2026 e acumulou ganho de 6,7% desde então.
Em sentido contrário, os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 0,2% em abril. Já os bens de consumo duráveis registraram queda de 3,2%. Ambos os segmentos interromperam uma sequência de três meses seguidos de crescimento da produção.
Resultado do trimestre revela recuperação na produção industrial
O indicador de média móvel trimestral da indústria avançou 0,7% no trimestre encerrado em abril na comparação com o período encerrado em março. Segundo o IBGE, o resultado manteve a trajetória de crescimento iniciada em dezembro de 2025.
Entre as grandes categorias econômicas, os maiores avanços foram registrados pelos bens intermediários e pelos bens de capital, ambos com expansão de 1,2% no trimestre móvel encerrado em abril.
No caso dos bens intermediários, o resultado prolongou a trajetória positiva iniciada em janeiro de 2026. Já os bens de capital registraram o segundo resultado positivo consecutivo na média móvel trimestral e acumularam ganho de 3,3% nesse intervalo.
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O setor de bens de consumo semi e não duráveis também apresentou crescimento no trimestre encerrado em abril, com alta de 0,3%, mantendo a trajetória ascendente iniciada em julho de 2025.
Por outro lado, os bens de consumo duráveis foram a única categoria a registrar resultado negativo na média móvel trimestral, com recuo de 0,2%. O desempenho interrompeu dois meses consecutivos de crescimento. Ainda assim, o segmento acumulava expansão de 3,8% nesse período.











