O aumento da inadimplência a nível recorde é, em parte, um efeito colateral da ampliação do acesso ao crédito para parcelas da população que antes tinham pouca ou nenhuma participação no mercado. A avaliação é de Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Embora reconheça que parte desse público apresente maior risco de atraso nos pagamentos, argumenta que muitos consumidores são bons pagadores (80% possuem as contas em dia) e que a ampliação do crédito traz “mais benefícios do que riscos”.
Para o especialista, o crédito pode atuar como um mecanismo de proteção temporária, ajudando as famílias, especialmente as de menor renda, a manterem o consumo e a organizarem suas finanças em períodos de dificuldade.
Em evento realizado pela Equifax BoaVista nesta terça-feira (2), em São Paulo (SP), também ressaltou que esse movimento não pode ser analisado isoladamente, já que ocorre em um cenário de juros elevados e de maior comprometimento da renda das famílias com dívidas.
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Paradoxo da inclusão
O efeito colateral, citado pelo economista, causa o que especialistas chamam de “paradoxo da inclusão”: o aumento do acesso ao crédito ocorre simultaneamente a uma elevação nos índices de inadimplência.
Segundo a Equifax BoaVista, 41,4% dos cartões emitidos por bancos digitais em 2025 foram destinados a consumidores que estavam ingressando no mercado de crédito. Entre pessoas com renda de até um salário mínimo (R$ 1.621), a participação mais que triplicou nos últimos cinco anos, alcançando 20,5%.
Em paralelo, a inadimplência avançou. O percentual de clientes dos bancos digitais com dívidas em atraso no cartão de crédito cresceu 163% entre 2021 e 2025, atingindo 20,3%. Entre os consumidores de menor renda, o índice saltou de 9,5% para 33% no mesmo período.











