O dólar fechou esta quarta-feira (17) em alta de 0,41% frente ao real, a R$ 5,11, impulsionado pelo fortalecimento da moeda norte-americana após o Federal Reserve (Fed) manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, em decisão unânime.
Apesar da manutenção, o mercado reagiu ao tom mais rígido adotado pela instituição e às declarações do novo presidente do banco central, Kevin Warsh.
Em sua primeira reunião, ele divulgou um comunicado mais curto do que o habitual e reforçou a preocupação com a inflação. De acordo com o relatório, a inflação continua acima da meta, em parte devido ao choque nos preços de energia, enquanto a atividade econômica e o mercado de trabalho seguem resilientes.
Durante a coletiva, Warsh afirmou que o Fed continuará comprometido com a estabilidade de preços, mas evitou oferecer um forward guidance — termo utilizado para indicar ao mercado os possíveis próximos passos da política monetária.
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A ausência dessa sinalização, combinada com a preocupação com a inflação, elevou as apostas em uma alta de juros nos Estados Unidos.
Dólar dispara no exterior
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, acelerou os ganhos após a coletiva. O indicador ultrapassou os 100 pontos e chegou à faixa de 100,5 pontos, refletindo a percepção de que os juros americanos podem voltar a subir ainda neste ano.
As projeções divulgadas pelo Fed no chamado “gráfico de pontos” mostraram uma divisão entre os dirigentes da instituição. Dos 18 integrantes com direito a projeções, nove passaram a prever aumento dos juros ainda neste ano. Outros oito esperam manutenção da taxa atual e apenas um projeta redução.
Após a divulgação, a ferramenta FedWatch, do CME Group, passou a indicar probabilidade superior a 60% de uma elevação dos juros na reunião de outubro.
Cenário doméstico também pesa sobre o real
Além do ambiente externo, analistas destacam fatores locais como limitadores para uma recuperação mais consistente do real. Em fala ao Broadcast, o superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, afirmou que a perspectiva de fortalecimento do dólar no exterior reduz o espaço para valorização da moeda brasileira.
“O Copom tende a anunciar um novo corte da Selic hoje, mas adotar um tom mais duro, porque as expectativas de inflação vão piorar. Vamos ter ainda um juro muito alto e um diferencial grande em relação ao exterior. Mas é preciso ver como o mercado vai absorver essa nova postura do Fed”, afirmou.











