O mercado de apostas esportivas, conhecido popularmente como “bets”, deve movimentar R$ 31 bilhões no Brasil, o equivalente a 10% dos US$ 60 bilhões (R$ 310 bilhões) que devem ser apostados em todo o mundo durante a Copa do Mundo de 2026.
Projeções divulgadas pelo site Poder360 indicam que a edição poderá registrar o maior volume de apostas da história. A expectativa é sustentada pelo novo formato da competição, que terá 48 seleções e 104 partidas pela primeira vez — 40 jogos a mais que nas edições anteriores.
Além do aumento no número de partidas, mercados regulados, como o brasileiro, ampliam a participação de novos usuários nas plataformas de apostas.
Pesquisa da Creditas em parceria com a Opinion Box mostra que 60% dos brasileiros pretendem fazer apostas online durante a Copa do Mundo de 2026. Entre os entrevistados, 30% afirmam enxergar as apostas como uma forma de complementar a renda.
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Da Bolsa às bets
Em análise ao site Latinometrics, a desenvolvedora de mercados internacionais do CME Group, Alessandra Sily, e o economista Ernesto Canales explicaram que a ascensão das bets coincide com mudanças no comportamento do investidor brasileiro.
Durante a pandemia da Covid-19, em 2020 e 2021, milhões de brasileiros ingressaram na Bolsa de Valores pela primeira vez. Com a taxa Selic próxima de 2% ao ano, aplicações conservadoras passaram a oferecer retornos menores, levando investidores a buscar alternativas como ações, fundos imobiliários e operações de curto prazo — os famosos daytrades.
A base de investidores pessoa física na B3 atingiu seu pico em 2021. No entanto, o cenário mudou com a retomada da Selic para patamares de dois dígitos.
Ao mesmo tempo, as plataformas de apostas esportivas ampliaram sua presença no país do futebol. De acordo com a análise, para parte dos usuários, as bets oferecem uma experiência baseada em baixo valor de entrada, resultado imediato e possibilidade de multiplicação rápida do dinheiro investido.
Apoiadas na falta de educação financeira, as bets surgiram como uma alternativa popular e menos complexa de buscar rentabilidade, criando uma concorrência direta com investimentos de renda variável, como ações e fundos imobiliários. Em 2025, as apostas superaram todos os produtos financeiros no Brasil, com exceção da poupança, segundo dados da ANBIMA e do Datafolha (confira abaixo).












