Dá para devolver areia que o mar já levou? Portugal aposta na alimentação artificial de praias entre Quarteira e Garrão, no Algarve, movendo 1,4 milhão de metros cúbicos de areia ao longo de 6,7 quilômetros de costa para conter a erosão que ameaça o turismo da região.
Por que o Algarve perde tanta areia para o mar?
A erosão costeira no Algarve é um fenômeno natural acelerado pelas mudanças climáticas. Em algumas áreas, a faixa de areia já encolheu centenas de metros, o que ameaça o principal motor turístico de Portugal.
Diante disso, a areia virou um recurso estratégico. O projeto de alimentação artificial de praias fica entre Quarteira e Garrão, no município de Loulé, distrito de Faro, e é tocado pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Como funciona a técnica de alimentação artificial de praias?
A técnica usada se chama alimentação artificial de praias, ou beach nourishment. Ela consiste em pegar areia de uma área submersa próxima e levá-la até a costa.
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O transporte é feito por dragagem e por um sistema de tubulações instaladas no mar. O processo é repetido em vários trechos, até cobrir toda a faixa prevista.
As etapas principais são:
Quais cuidados ambientais a obra exige?
Antes do início da obra, foi feito um estudo de impacto ambiental. Ele teve dois focos principais, controlar a deposição de sedimentos e proteger o patrimônio arqueológico submerso na área de extração.
A execução acontece por fases, em articulação com o órgão português de patrimônio cultural. Esse cuidado ajuda a reduzir impactos locais durante a movimentação da areia.
Os cuidados incluem:
- Estudo de impacto ambiental aprovado antes do início dos trabalhos.
- Controle da deposição de sedimentos para evitar a saturação de certas áreas.
- Proteção do patrimônio arqueológico submerso na zona de extração.
- Execução em fases, em articulação com o órgão de patrimônio cultural português.
Esses cuidados ambientais costumam acompanhar qualquer obra de alimentação artificial de praias em Portugal, ainda mais perto de sistemas naturais sensíveis como a Ria Formosa.

Quais são os números dessa megaoperação costeira?
Os números dessa intervenção ajudam a dimensionar o tamanho da obra no litoral algarvio. Cada indicador mostra uma parte diferente do esforço para conter a erosão.
Os valores abaixo foram divulgados pela própria Agência Portuguesa do Ambiente, responsável pelo projeto entre Quarteira e Garrão.
Os números do projeto são estes:
| Indicador | Valor | Situação |
|---|---|---|
| Volume de areia movida Material dragado no mar | Cerca de 1,4 milhão de metros cúbicos | Confirmado pela APA |
| Extensão da obra Trecho costeiro intervencionado | Cerca de 6,7 quilômetros, entre Quarteira e Garrão | Confirmado pela APA |
| Alargamento médio da praia Resultado esperado | Cerca de 37 metros de areia a mais | Previsão da APA |
| Investimento Custo total da empreitada | Cerca de 14,8 milhões de euros | Valor da APA |
O que esperar depois da obra concluída?
A meta da Agência Portuguesa do Ambiente é mitigar a erosão e aumentar a resiliência do litoral algarvio antes do início da época de praia. A obra também integra um conjunto maior de intervenções na costa de Portugal.
Outros trechos do Algarve, como a Praia do Vau e a Península do Ancão, também recebem obras parecidas. O resultado deve aparecer aos poucos, conforme a areia se acomoda na nova linha de costa.











