A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu o menor patamar da série histórica no primeiro semestre, segundo levantamento divulgado pela Amcham Brasil nesta terça-feira (7). O enfraquecimento ocorre em meio ao avanço de tarifas sobre produtos brasileiros e ao crescimento das exportações para outros parceiros, como China e União Europeia.
Entre janeiro e junho, a soma de exportações e importações entre Brasil e EUA totalizou US$ 36,4 bilhões, queda de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025. As exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13% (US$ 17,4 bilhões), enquanto as importações caíram 12,5% (US$ 19 bilhões).
Com isso, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997. Na corrente de comércio do Brasil, a fatia americana recuou para 11,1%, também o menor nível da série.
Apesar do resultado negativo do semestre, junho apresentou um sinal de recuperação. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% na comparação com o mesmo mês de 2025, encerrando uma sequência de dez meses consecutivos de retração.
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O avanço foi impulsionado pelos produtos sem sobretaxa, cujas vendas aumentaram 35,8%, com destaque para:
- Aeronaves (+299,4%);
- Óleos combustíveis de petróleo (+89,3%).
China e União Europeia ampliam participação
O desempenho do comércio bilateral contrasta com o avanço das vendas externas brasileiras para outros mercados. No primeiro semestre, as exportações do Brasil cresceram 11,5% para o mundo. No mesmo período, os embarques para a China aumentaram 21,9%, enquanto as vendas para a UE avançaram 12,8%.
Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o resultado reforça a necessidade de um acordo comercial entre os dois países para evitar novas barreiras tarifárias.
“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
Tarifas dos EUA pesam sobre exportações brasileiras
De acordo com a Amcham, os produtos sujeitos às tarifas adicionais concentraram a maior parte da queda das exportações. Enquanto as vendas de mercadorias atingidas por sobretaxas caíram 16,6% no semestre, os produtos não afetados recuaram 8,7%.
Entre os itens sujeitos às tarifas, os produtos enquadrados na tarifa adicional de 10% registraram retração de 25,9%. Já aqueles alcançados pelas medidas previstas na Seção 232, que incluem aço e alumínio, tiveram queda de 6,7%.
Os maiores recuos ocorreram em:
- Produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%);
- Caminhões (-46,7%);
- Madeira (-40,5%);
- Cobre (-37,4%).
Desde fevereiro, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou parte das tarifas adicionais aplicadas com base no IEEPA, o número de produtos brasileiros isentos de sobretaxas aumentou de 382 para 1.488 itens.
Mesmo assim, permanecem em vigor tarifas adicionais de 10% previstas na Seção 122 e alíquotas de até 50% para produtos enquadrados na Seção 232.











