O mercado de criptomoedas iniciou a semana com o bitcoin (BTC) encontrando dificuldades para superar a faixa entre US$ 68 mil e US$ 68,5 mil, considerada uma das principais resistências técnicas do momento, segundo análise da equipe da Bitfinex.
Para eles, o comportamento dos investidores e as expectativas para a decisão dos juros dos Estados Unidos — que será divulgada nesta quarta-feira (28) — devem continuar determinando os movimentos da criptomoeda nos próximos dias. Nesta manhã, o bitcoin opera em queda de 0,47%, aos US$ 63.389,29.
A corretora destaca que julho foi marcado por uma mudança no posicionamento dos investidores. As posições vendidas (shorts) — operações que apostam na queda do preço de um ativo — foram reduzidas, enquanto parte das estratégias de hedge, utilizadas para proteção contra oscilações do mercado, começou a ser desmontada.
Além disso, os ETFs de Bitcoin à vista registraram entradas líquidas de recursos pela terceira semana consecutiva, embora parte desses aportes tenha sido revertida nos últimos dias.
Vendas interrompem avanço do Bitcoin
Apesar da melhora no fluxo para os ETFs, a Bitfinex afirma que existe uma oferta significativa de Bitcoin nos preços atuais. Na segunda metade da semana passada, a criptomoeda recuou 4,87%, movimento atribuído principalmente a investidores de curto prazo que venderam seus ativos após conseguirem recuperar o capital investido ou obter pequenos lucros.
Segundo a análise, esse comportamento alterou a dinâmica da principal região de resistência do mercado. Durante o último mês, o preço médio de compra desses investidores vinha caindo à medida que novos compradores entravam no mercado em níveis mais baixos. Esse processo, porém, foi interrompido em torno de US$ 68,5 mil, com o surgimento de novos vendedores.
Na avaliação da corretora, superar essa faixa exigirá uma nova onda de demanda. Os fluxos destinados aos ETFs e às empresas que mantêm Bitcoin em caixa ainda não seriam suficientes, isoladamente, para romper esse patamar.
Alta do diesel entra no radar da inflação
A Bitfinex também chama atenção para o impacto da alta do diesel na economia americana.
De acordo com a análise, o aumento do combustível eleva os custos de transporte e produção de mercadorias, pressionando a inflação dos alimentos e reduzindo as margens das empresas, mesmo que o petróleo bruto apresente recuo.
Na segunda semana de julho, o preço médio do diesel nos Estados Unidos chegou a cerca de US$ 5,13 por galão, permanecendo abaixo do recorde de US$ 5,64, registrado em abril, mas ainda em nível considerado elevado.
Como o diesel é utilizado em caminhões, máquinas agrícolas, embarcações e veículos de transporte de cargas refrigeradas, qualquer aumento tende a ser repassado rapidamente para atacadistas e varejistas, influenciando os preços ao consumidor.
Mercado passa a considerar alta dos juros
Segundo a Bitfinex, o choque nos preços da energia alterou as expectativas do mercado. Em vez de discutir apenas quando começariam os cortes de juros, investidores passaram a considerar a possibilidade de uma nova elevação da taxa básica.
Os contratos futuros atrelados aos juros americanos passaram a indicar aproximadamente uma chance em três de aumento na reunião desta semana, embora a manutenção das taxas continue sendo o cenário mais provável.
A corretora atribui essa mudança a dois fatores principais: o novo avanço dos preços da energia e as declarações recentes do presidente do Fed, Kevin Warsh, de que o banco central tem “tolerância zero para uma inflação persistentemente elevada”.
Como os dirigentes do Fed estão em período de silêncio antes da reunião de política monetária, a reavaliação das expectativas ocorreu sem novos pronunciamentos oficiais capazes de alterar a percepção do mercado.
Para a Bitfinex, enquanto persistirem as incertezas sobre a trajetória dos juros e da inflação nos Estados Unidos, o comportamento do Bitcoin deverá continuar condicionado aos fatores macroeconômicos e à capacidade de atrair uma nova rodada de compras.











