Queima de gás é a imagem de uma chama permanente no alto de uma tocha em campos de petróleo. Por trás dela, existe um problema industrial: parte do gás que sai junto com o óleo ainda não encontra caminho econômico ou logístico para ser aproveitada.
Por que o gás associado ainda é queimado em campos de petróleo?
O gás queimado em tocha costuma aparecer quando a produção de petróleo vem acompanhada de gás natural associado. Esse gás precisa ser separado, medido, tratado e encaminhado para algum uso seguro.
Quando o campo fica longe de gasodutos, consumidores, unidades de processamento ou rotas de exportação, o operador pode não ter como aproveitar tudo imediatamente. A tocha vira uma forma de descarte controlado, mas também representa perda de energia e emissões.

Como esse gás poderia gerar eletricidade no próprio campo?
Uma alternativa é usar o gás para alimentar motores, turbinas ou pequenos sistemas de geração elétrica no local. Essa energia pode atender bombas, compressores, instalações de produção, bases remotas ou até redes próximas, quando existe conexão adequada.
O Banco Mundial aponta soluções como geração modular de eletricidade, plantas modulares de GNL, sistemas integrados de GNC e miniunidades de conversão de gás em líquidos como alternativas à queima e ao venteio.
O vídeo abaixo ajuda a visualizar por que uma chama no campo de petróleo pode representar tanto um problema ambiental quanto uma oportunidade energética perdida.
Quando GNC, GNL e mini-GNL entram na solução?
Se não existe gasoduto próximo, o gás pode ser comprimido como GNC ou liquefeito como GNL para transporte. Em projetos menores, unidades modulares tentam levar parte dessa infraestrutura ao campo, reduzindo a dependência de grandes obras.
YMYL-Tech: essas soluções dependem de volume, composição do gás, distância, segurança, licenciamento, custo de energia, logística e mercado comprador. Nem toda chama pode ser eliminada apenas com um contêiner industrial ou uma solução rápida.
Quais caminhos reduzem a queima de gás?
A redução depende de combinar engenharia, mercado, regulação e planejamento desde o início do campo. Em projetos novos, o aproveitamento do gás pode ser desenhado junto com a produção de óleo, evitando que a infraestrutura chegue tarde demais.
Os principais pontos para observar são:
- Geração local: usa o gás para produzir eletricidade no próprio campo ou em uma rede próxima.
- GNC: comprime o gás para transporte em volumes menores quando não há gasoduto disponível.
- GNL: resfria o gás até o estado líquido, permitindo transporte mais denso e flexível.
- Reinjeção: devolve gás ao reservatório para manter pressão ou armazenar volumes temporariamente.
- Processamento: remove impurezas e separa componentes para atender especificações comerciais.
- Controle de vazamentos: reduz perdas de metano em válvulas, conexões, tanques e equipamentos.
Por que reinjetar gás pode fazer sentido no reservatório?
A reinjeção devolve parte do gás ao subsolo, em vez de queimá-lo. Em alguns campos, isso ajuda a manter a pressão do reservatório, melhorar a recuperação de petróleo ou guardar gás até que exista infraestrutura para aproveitamento futuro.
Essa solução exige poços, compressores, monitoramento e avaliação geológica. Ela não é apenas “empurrar gás de volta”, mas uma decisão de engenharia de reservatórios, com impacto em produção, segurança, custos e planejamento de longo prazo.

Como a redução de vazamentos aumenta a oferta de gás?
Nem todo gás perdido aparece como chama. Vazamentos e venteios podem liberar metano diretamente em equipamentos de produção, processamento e transporte. Quando essas perdas são detectadas e corrigidas, mais gás permanece disponível para uso comercial ou energético.
Esse ponto é importante porque reduzir emissões e ampliar oferta podem caminhar juntos. Em vez de buscar apenas novos campos, parte do mercado pode ganhar volumes adicionais ao capturar gás que hoje se perde na operação.











