A combinação entre valuation atrativo, expectativa de novos cortes na Selic e um cenário de inflação mais controlada pode abrir espaço para um novo ciclo de valorização da Bolsa brasileira ainda em 2026, segundo a avaliação de gestores e estrategistas durante a Expert XP, realizada em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (23).
Ao longo do painel “Bolsa brasileira 2026: O que pode destravar o próximo ciclo?”, os especialistas comentaram que, apesar das incertezas relacionadas às eleições e ao cenário internacional, parte dos riscos já está incorporada aos preços das ações e destacaram oportunidades em empresas líderes de mercado.
Potencial de alta de até 40% para a Bolsa
O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, afirmou que o valuation — indicador que mede se um ativo está caro ou barato em relação aos seus fundamentos — continua favorável para o mercado brasileiro, após o nível de pessimismo atingir o ponto mais alto desde 2024.
Segundo ele, a relação entre risco e retorno voltou a ser positiva nos últimos meses. Ferreira apresentou três cenários (imagem abaixo) para o Ibovespa no final de 2026:
- Cenário pessimista: queda de 10% para 158.891 pontos;
- Cenário-base: alta de 20% para 199.815 pontos;
- Cenário otimista: valorização de até 40% para 259.076 pontos.

Queda do risco com petróleo melhora cenário
No início do ano, a discussão do mercado não era sobre quando os juros iriam cair, mas sim em que proporção. O cenário, entretanto, mudou com a escalada das tensões geopolíticas e reduziu as expectativas de flexibilização monetária no mundo inteiro, como observou Andre Lion, CIO e gestor de ações da Ibiuna Investimentos.
Na avaliação do gestor, o cenário de junho para cá mudou mais uma vez com a diminuição dos riscos de uma disparada dos preços do petróleo. “O mundo percebeu que aquela possibilidade da commodity subir para US$ 150 ou US$ 200 diminuiu muito”, afirmou.
Espaço para mais cortes na Selic ainda em 2026
O analista da Encore Asset, João Luiz Braga, afirmou que os indicadores econômicos reforçam um cenário de desinflação, o que pode abrir espaço para mais dois cortes da Selic em 2026, caso essa trajetória seja mantida.
Segundo ele, a guerra voltou a gerar preocupação no mercado internacional, mas o cenário predominante continua apontando para desaceleração da inflação.
Braga também afirmou que boa parte do risco eleitoral já está refletida nos preços dos ativos. “Hoje deve ter uns 65% do fator Lula no preço. A eleição já está muito englobada na equação”, disse.
Além disso, outro fator analisado por Lion indica que programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deixaram de depender apenas do governo que está no cargo e passaram a fazer parte da política de Estado, o que, segundo ele, reduz a influência do calendário eleitoral sobre determinados setores.
Momento de evitar histórias complexas
Para o momento, Braga afirmou ser hora de evitar empresas com histórias consideradas mais complexas e priorizar ações negociadas a múltiplos mais baixos. Entre os exemplos citados estão Smartfit (SMFT3), Nubank (ROXO34), Vibra (VBBR3) e empresas do setor elétrico.
Ele acrescentou que investidores estrangeiros continuam demonstrando interesse pela Bolsa brasileira, mesmo em momentos de maior cautela no mercado doméstico. A visão foi corroborada por Lion: “o foco permanece na seleção de empresas de qualidade”.
Já o fundador e diretor de investimentos da Guepardo Investimentos, Octávio Magalhães, afirmou que o ideal é “permanecer focado em empresas líderes de seus segmentos e capazes de operar mesmo em um ambiente de juros elevados para seguir protegidos de cenários como as eleições.”
Entre as escolhidas estão líderes de diferentes setores, como: supermercados, joalherias, embalagens, saúde e distribuição de combustíveis, incluindo Klabin (KLBN11), Vivara (VIVA3), Fleury (FLRY3) e Ultra (UGPA3).











