O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% ao ano pela quinta reunião seguida. O resultado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) foi divulgado na tarde desta quarta-feira (29).
Apesar da pressão por um corte de juros imposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, e todos os dirigentes não enxergam espaço para uma flexibilização no momento. Pelo contrário, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram por um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.).
Questionado sobre as taxas de juros nesta semana, Trump afirmou que “Warsh é excelente”, mas que as decisões não dependem exclusivamente dele, de acordo com informações do Financial Juice. “Ele fará a coisa certa”, completou.
Segundo o comunicado, a economia continua se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza provocada, em parte, pelo conflito no Oriente Médio.
Além disso, o crescimento da produtividade e dos investimentos segue forte, enquanto a criação de empregos acompanhou a expansão da força de trabalho, mantendo a taxa de desemprego praticamente estável.
O Fed também destacou que a inflação continua acima da meta de 2%. A pressão sobre os preços reflete os choques de oferta que elevaram os custos em alguns setores, como o de energia — petróleo.
O que dizem os analistas?
Para Álvaro Maia, economista da StoneX, qualquer sinalização menos restritiva poderá beneficiar ativos de maior duração, mercados emergentes e outras classes de risco. Por outro lado, um discurso mais preocupado com a inflação energética pode reacender a volatilidade na renda fixa.
Já Andressa Durão, economista do ASA, afirma que a manutenção dos juros já estava incorporada às expectativas, de modo que o foco dos investidores recai sobre a coletiva de Warsh, apesar de acreditar que a mensagem central deve permanecer a mesma — compromisso com o retorno da inflação à meta.
Boa parte do mercado enxergava manutenção nos juros dos EUA
Na abertura do mercado, às 11h45 (horário de Brasília), 66,3% dos analistas apostavam na manutenção da taxa de juros dos EUA, segundo o monitoramento FedWatch, do CME Group (imagem abaixo).

Para a próxima reunião, que acontecerá em 16 de setembro, as apostas são de um aumento (79,4%), com analistas divergindo entre uma alta de 0,25 (56,2%) e 0,5 (23,2%) p.p.











