Os brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões (R$ 64,5 bilhões) em viagens ao exterior no primeiro semestre de 2026, o maior valor para o período desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1995.
O dado apresentado nesta quarta-feira (29) coincide com a divulgação dos números referentes à inadimplência nas operações de crédito, que mostram que o endividamento também bateu recorde, permanecendo em 4,7% em junho, conforme informou o BC nesta quinta-feira (30).
Na comparação anual, as despesas dos turistas brasileiros em viagens internacionais cresceram 22,5%, quando haviam somado US$ 10,3 bilhões. O resultado também superou o recorde anterior para o período, registrado em 2014, de US$ 12,4 bilhões.
Segundo o Banco Central, a valorização do real frente ao dólar ao longo de 2026 ajudou a reduzir o custo de viagens internacionais. A moeda norte-americana acumula queda de 6,76% no ano, influenciando despesas como passagens aéreas, hospedagem e compras no exterior.
O movimento também acompanha o crescimento da demanda por voos internacionais. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que, em 2025, o Brasil registrou recorde de passageiros em voos internacionais, com mais de 25 milhões de embarques e desembarques entre janeiro e novembro.
Inadimplência de brasileiros permanece em máxima histórica
Enquanto os gastos com viagens avançam, os indicadores de crédito mostram um cenário de maior comprometimento financeiro das famílias. A taxa média de inadimplência de 4,7% considera apenas operações com atraso superior a 90 dias.
Entre as pessoas físicas, a inadimplência ficou em 5,6%, enquanto, entre as empresas, permaneceu em 3,2%, maior patamar desde novembro de 2017.
No crédito livre — modalidade em que bancos definem livremente juros e condições, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — a inadimplência das famílias permaneceu em 7,6%, também um recorde da série.
Já o crédito direcionado, utilizado em financiamentos habitacionais, rurais e de infraestrutura, possui regras específicas e, em muitos casos, juros subsidiados por programas públicos.
A permanência do endividamento entre os brasileiros ocorre mesmo após o relançamento do programa Desenrola Brasil, criado para facilitar a renegociação de dívidas.
Segundo o Banco Central, já foram renegociados R$ 44,7 bilhões em operações de crédito em menos de três meses. Ainda assim, os atrasos permaneceram estáveis. Diante desse cenário, o governo federal decidiu prorrogar por mais 30 dias o prazo para adesão ao programa.











