A reinjeção de CO₂ no pré-sal começa quando o fluido produzido pelos poços chega às plataformas FPSO. Essas unidades separam petróleo, água e gás, tratam o gás natural e direcionam o fluxo rico em dióxido de carbono novamente ao reservatório. O processo reduz emissões diretas e pode favorecer a recuperação do óleo.
Por que o gás do pré-sal precisa ser tratado?
O gás associado ao petróleo não chega à plataforma como um produto pronto para venda. Ele pode conter água, hidrocarbonetos mais pesados e concentrações relevantes de CO₂. Antes do aproveitamento, essas correntes precisam passar por etapas de separação e condicionamento.
O dióxido de carbono reduz a qualidade comercial do gás e pode agravar problemas de corrosão quando água e outros fatores estão presentes. Liberá-lo diretamente para a atmosfera também contrariaria o objetivo do projeto de captura. Por isso, parte dos sistemas do pré-sal foi concebida para separar e reinjetar esse componente.

Como o FPSO separa o CO₂ do gás natural?
O tratamento combina equipamentos de processo, compressão e controle. A configuração muda conforme o campo e o teor de CO₂. O objetivo é produzir uma corrente de gás adequada ao consumo da própria plataforma, ao escoamento ou a outras destinações, separando a parcela prevista para reinjeção.
A Petrobras descreve a captura no pré-sal como a separação entre gás natural e CO₂ realizada na unidade de produção. Depois, a corrente destinada ao armazenamento é comprimida e enviada aos poços injetores. O sistema precisa operar de forma contínua e acompanhar as variações da produção.
O que significa CCUS associado à recuperação de petróleo?
CCUS é a sigla em inglês para captura, uso e armazenamento de carbono. No pré-sal, o “uso” está associado à recuperação avançada de petróleo, conhecida como EOR. O CO₂ não é apenas separado: sua reinjeção participa da estratégia de gerenciamento do reservatório.
A injeção ajuda a sustentar a pressão interna e influencia o deslocamento dos fluidos em direção aos poços produtores. A Petrobras também utiliza a alternância entre água e gás, conhecida como WAG, conforme as características do projeto. A empresa relaciona essa técnica ao aumento da eficiência de recuperação.

Quais sistemas trabalham durante a reinjeção?
- Separadores: dividem petróleo, água e gás produzidos pelos poços.
- Tratamento de gás: condiciona as correntes conforme sua destinação.
- Compressores: elevam a pressão necessária para a reinjeção.
- Trocadores de calor: controlam temperaturas ao longo do processo.
- Tubulações e válvulas: direcionam o fluxo dentro do FPSO.
- Poços injetores: devolvem a corrente ao reservatório selecionado.
- Instrumentação: mede pressão, vazão, temperatura e composição.
- Sistemas de segurança: isolam trechos diante de condições anormais.
Por que 22 FPSOs em 2025 representavam uma escala relevante?
Em março de 2025, a Petrobras informou que 22 FPSOs operando no pré-sal da Bacia de Santos estavam equipados para capturar e reinjetar CO₂. A companhia também registrou 14,2 milhões de toneladas reinjetadas em 2024 e um acumulado de 67,9 milhões entre 2008 e 2024.
O número mostra que a tecnologia não estava restrita a uma unidade experimental. Ela integrava diversos sistemas de produção em águas ultraprofundas. Cada FPSO, porém, possui capacidade, arranjo de processo e condições de reservatório próprios; a operação não pode ser reproduzida sem adaptação técnica.
A reinjeção elimina todas as emissões do FPSO?
Não. A captura trata o CO₂ presente na corrente produzida, mas uma plataforma também consome combustível para gerar eletricidade, calor e potência de compressão. Existem ainda emissões relacionadas a tochas, embarcações de apoio, manutenção e outras etapas da operação.
Por isso, o CCUS deve ser analisado como parte de uma estratégia maior de redução de intensidade de carbono. O resultado depende da eficiência da planta, da energia consumida para comprimir o gás, da disponibilidade dos equipamentos e da quantidade efetivamente armazenada.
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Quais desafios técnicos permanecem no sistema?
Compressão em alta pressão, corrosão, confiabilidade e espaço limitado no FPSO tornam o projeto complexo. Paradas no sistema de reinjeção podem afetar o processamento de gás e a própria produção, exigindo redundância, manutenção planejada e procedimentos seguros.
Novas soluções buscam transferir parte da separação para o fundo do mar. O HISEP, desenvolvido pela Petrobras, pretende separar óleo e gás rico em CO₂ próximo aos poços, reduzindo a carga sobre a planta de superfície. A implantação exige integração entre equipamentos submarinos, FPSO e reservatório.











