A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,067 bilhões em julho, resultado obtido com exportações de US$ 34,119 bilhões e importações de US$ 27,052 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado, que apontava superávit de US$ 8,1 bilhões, segundo pesquisa Projeções Broadcast. Em junho, o saldo havia sido de US$ 9,758 bilhões.
As exportações brasileiras cresceram 6,2% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelo avanço de 9,3% na agropecuária, cujas vendas somaram US$ 7,823 bilhões, além da alta de 10,8% na indústria extrativa, com US$ 8,234 bilhões. Já a indústria de transformação exportou US$ 17,834 bilhões (+2,4%).
As importações avançaram em ritmo mais forte, com alta anual de 7,6%. A agropecuária registrou queda de 4,1%, para US$ 478,2 milhões. A indústria extrativa importou US$ 1,323 bilhão, aumento de 31,4%, enquanto a indústria de transformação respondeu por US$ 28,088 bilhões, crescimento de 6,9%.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado de julho mostra uma desaceleração do superávit comercial na margem, influenciada principalmente pelo crescimento mais acelerado das importações. Segundo ele, a dinâmica da balança comercial continua favorável, especialmente pelo desempenho das commodities.
Balança comercial supera US$ 49 bilhões em 2026
De janeiro a julho, a balança comercial acumula superávit de US$ 49,039 bilhões, valor 31,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
No acumulado do ano, as exportações cresceram 10,5%, alcançando US$ 218,552 bilhões, enquanto as importações avançaram 5,5%, para US$ 169,513 bilhões.
Entre os setores exportadores, a agropecuária movimentou US$ 50,481 bilhões, alta de 9,2%. A indústria extrativa exportou US$ 54,355 bilhões, crescimento de 21,3%, e a indústria de transformação alcançou US$ 112,500 bilhões, avanço de 6,3%.
“A dinâmica da balança comercial ainda é favorável, com destaque positivo para as commodities. Mantemos a avaliação de que o saldo comercial de 2026 deverá superar o registrado em 2025, com a balança sendo destaque positivo nas contas externas neste ano”, afirmou Costa.
China amplia superávit com o Brasil; EUA mantêm déficit
A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras. As vendas ao país asiático cresceram 8,6% em julho, para US$ 10,673 bilhões, enquanto as importações vindas da China aumentaram 7,8%, totalizando US$ 6,418 bilhões. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 4,255 bilhões no comércio bilateral no mês.
No acumulado do ano, as exportações para a China somam US$ 69,026 bilhões, alta de 19,7%, enquanto as importações atingem US$ 44,963 bilhões, crescimento de 8%. O saldo comercial com o país alcança US$ 24,063 bilhões.
Já o comércio com os Estados Unidos permaneceu deficitário. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 5% em julho, para US$ 3,638 bilhões, enquanto as importações cresceram 0,6%, para US$ 4,276 bilhões. O déficit foi de US$ 638 milhões no mês.
Entre janeiro e julho, as exportações para os EUA recuaram 12,2%, para US$ 20,951 bilhões, e as importações caíram 10,4%, para US$ 23,225 bilhões, resultando em déficit acumulado de US$ 2,274 bilhões.
União Europeia e Argentina
As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 3,9% em julho, para US$ 4,782 bilhões, enquanto as importações avançaram 6,5%, alcançando US$ 5,011 bilhões. O saldo foi negativo em US$ 229 milhões.
No acumulado do ano, porém, o Brasil registra superávit de US$ 2,314 bilhões com o bloco europeu.
Já no comércio com a Argentina, as exportações recuaram 13,9% em julho, para US$ 1,415 bilhão, enquanto as importações cresceram 4,7%, para US$ 1,153 bilhão. O saldo positivo foi de US$ 262 milhões. Entre janeiro e julho, o superávit com o país vizinho soma US$ 1,217 bilhão.











