As ações da Lojas Renner (LREN3) caem mais de 12% nesta sexta-feira (7) após o balanço da companhia indicar estabilidade no lucro em bases anuais. A varejista registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre.
Além disso, a revisão para baixo na projeção de crescimento das vendas em 2026 também pesa sobre as ações da Renner. A expectativa passou para uma expansão entre 4% e 8%, ante a projeção anterior de 9% a 13%. A empresa, no entanto, manteve inalteradas as demais metas estratégicas, incluindo:
- plano de abertura de 50 a 60 lojas Renner em 2026;
- expansão da rede até 570 a 600 lojas Renner e 260 a 290 unidades da Youcom até 2030;
- objetivos de rentabilidade e retorno sobre capital.
Segundo a administração, a expectativa continua sendo de um segundo semestre mais forte, favorecido por uma base de comparação menor, reabertura de lojas e iniciativas comerciais.
O BTG Pactual manteve a recomendação de compra para LREN3, afirmando que a tese de investimento de longo prazo permanece preservada. Segundo os analistas, a empresa negocia atualmente a cerca de 9 vezes o lucro projetado para 2026, além de oferecer potencial de remuneração aos acionistas por meio de dividendos, juros sobre capital próprio e eventuais programas de recompra de ações.
BTG vê receita da Lojas Renner (LREN3) abaixo do esperado
Na avaliação do BTG Pactual, o principal ponto negativo do trimestre foi a fraqueza da receita líquida. A receita consolidada do varejo somou R$ 3,69 bilhões, alta de 1,1% em relação ao mesmo período de 2025, ficando cerca de 3% abaixo da estimativa do banco.
As vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) — indicador que compara o desempenho de unidades abertas há pelo menos um ano — cresceram apenas 0,5%, enquanto o BTG projetava avanço de 3,2%.
Segundo o banco, o desempenho refletiu um ambiente de consumo mais fraco, impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo nas lojas físicas e maior concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Por outro lado, o canal digital seguiu como destaque. O volume bruto de mercadorias (GMV) online cresceu 13,1% no trimestre e passou a representar 16,9% das vendas totais da companhia.
Margem bruta compensou parte da pressão
Mesmo com a desaceleração das vendas, a rentabilidade continuou mostrando resiliência.
A margem bruta do varejo atingiu 57,5%, avanço de 0,4 ponto percentual na comparação anual, resultado atribuído pelo BTG à maior participação de vendas a preço cheio, à gestão dos estoques e à melhora da cadeia de suprimentos.
O EBITDA do varejo somou R$ 791 milhões, alta de 2,3%, mas ficou cerca de 4% abaixo da projeção do banco.
O lucro líquido foi de R$ 404,6 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Em bases comparáveis, a companhia informou crescimento de 8%.
Copa do Mundo afetou fluxo nas lojas
Durante teleconferência com analistas, o presidente da Renner, Fabio Faccio, afirmou que a Copa do Mundo teve impacto maior do que em edições anteriores.
“A gente viu uma redução de tráfego maior nos dias de jogos, mas também nos jogos mais importantes de diversos países. Depois da Copa, o fluxo voltou à normalidade, mas, durante o evento, o impacto foi bastante relevante”, disse.
O executivo estima que o evento tenha reduzido entre 3 e 4 pontos percentuais o desempenho das vendas no trimestre. Ao mesmo tempo, houve migração de parte da demanda para o comércio eletrônico, contribuindo para o crescimento do canal digital.











