O mercado abre a semana nesta segunda-feira (10) de olho na agenda econômica, que reserva a divulgação de dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos nos próximos dias. Os conflitos no Estreito de Ormuz seguem no radar, mas a expectativa de um acordo imediato diminuiu nos últimos dias.
Comece a semana por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (10), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
A percepção de um novo recuo nas negociações entre Irã e Estados Unidos ganhou força nas últimas horas após lideranças de Teerã enviarem novas condições aos norte-americanos. Ainda existem divergências entre os envolvidos sobre as navegações em Ormuz.
Segundo os iranianos, o fato de existirem negociações não significa que a passagem está liberada. Dados da plataforma global de dados e análises, Kpler, comprovam a tese. Na última sexta-feira (7), o movimento de navios em Ormuz caiu 33% em relação ao dia anterior.
Em meio a isso, Trump se mantém mais distante do foco nos últimos dias, mas, de acordo com o Wall Street Journal, o líder norte-americano acompanha as negociações de perto e, caso o Estreito fosse reaberto, o republicano declararia vitória na guerra contra o Irã.
No Brasil, o cenário geopolítico segue como um dos focos do Banco Central na condução da política monetária. Após cortar os juros na última quarta-feira (5), a instituição divulga nesta terça-feira (11) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado busca novos indicativos sobre como a autarquia lidará com os juros nos próximos meses.
A agenda será movimentada neste início de semana, contando também com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho nesta terça. As projeções do mercado indicam que a inflação voltará a ficar abaixo do teto da meta, caindo de 4,64% para 4,40%.
Ainda assim, economistas seguem reforçando a necessidade de que os núcleos precisem recuar para que o BC tenha confiança de aplicar mais um corte nos juros ainda em 2026. O Boletim Focus desta segunda trouxe mais um leve corte nas projeções de inflação, para 5,02%.
Manchetes desta manhã
- Agronegócio adapta planejamento para enfrentar o El Niño mais forte da história (Valor)
- Tarcísio e Haddad nacionalizam 1º debate e trocam críticas sobre segurança e privatizações (Folha)
- Consumo fraco, endividamento das famílias e crédito caro põem pressão sobre o varejo brasileiro (Folha)
- Por que bancos se recusam a avalizar empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o BRB (Estadão)
- Classe média se aperta, e venda de imóveis compactos dispara (O Globo)
Mercado global opera sem direção
Em Nova York, os três principais índices futuros operam mistos nesta segunda, em meio às incertezas sobre um acordo para o fim do conflito no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz.
As bolsas europeias operam sem direção única nesta segunda-feira, em uma sessão de agenda esvaziada e com as incertezas no Oriente Médio ainda no radar dos investidores.
Na Ásia, as principais bolsas do continente encerraram a sessão majoritariamente em alta, apoiadas pelo payroll mais fraco nos EUA e pela menor expectativa de aperto monetário pelo Fed no curto prazo.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,07%
- FTSE 100: -0,38%
- CAC 40: +0,03%
- Nikkei 225: +2,08%
- Shanghai SE Comp: +0,67%
- Hang Seng: +1,05%
- Ouro (jun): -0,14%, a US$ 4.393,15 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,23%, aos 99,77 pontos
- Bitcoin: -0,10% a US$ 64.890,20
Commodities
- Petróleo: a commodity sobe com continuidade das incertezas sobre Estreito de Ormuz:
– WTI para setembro sobe 1,69%, a US$ 79,49
– Brent para outubro avança 1,46%, a US$ 84,77 - Minério de ferro fechou em queda de 0,28% em Dalian, na China, cotado a 701,50 yuans a tonelada (US$ 104,01)
Cenário internacional
Além dos conflitos em Ormuz, o mercado norte-americano aguarda pelos dados de inflação (CPI, na sigla em inglês). Após a surpresa do payroll cortar 23 mil vagas no último mês, os números podem trazer um novo reforço para reduzir as chances de o Federal Reserve elevar os juros já em setembro.
No momento, uma alta em outubro é a mais provável, mas o Bank of America (BofA) projeta três cortes de 0,25 ponto percentual até o final do ano. Por lá, ainda serão divulgados os dados de inflação ao produtor (PPI).
Cenário nacional
A semana no Brasil será a mais agitada da temporada de balanços, contando com a divulgação de dados de empresas como: Embraer, JBS, B3, Banco do Brasil, CSN, CSN Mineração, Sabesp, Nubank, entre outras.
O cenário político também segue conturbado após o início oficial do período eleitoral. A Câmara está focada em votações sobre tributos dos combustíveis, enquanto o Senado retomará os trabalhos após uma semana sem sessões.
Destaques do mercado corporativo
- JBS (JBSS32): Citi reiterou recomendação de compra e preço-alvo de US$ 20, após avaliação positiva do acordo com o fundo soberano da Indonésia. Potencial de valorização de 40,5%.
- Gerdau (GGBR4): Polícia Federal pediu bloqueio de bens da companhia para garantir eventuais indenizações relacionadas a contaminação ambiental em Salvador. A empresa foi multada em R$ 50 milhões.
- Banco do Brasil (BBAS3): pagou R$ 100 milhões à União no novo cronograma de quitação do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida. O saldo será amortizado até 2029.
- Americanas (AMER3): valor da venda da UPI Uni.Co para a Fan Store foi ajustado de R$ 152,9 milhões para R$ 162,05 milhões, com pagamento do saldo em cinco parcelas anuais.
- Iguatemi (IGTI11): acertou a venda de participações em cinco ativos ao TRX Real Estate por R$ 876,1 milhões, mantendo a administração dos empreendimentos.
- Cogna (COGN3): Inter recomenda compra e estima preço de R$ 2,66 por ação, destacando melhora operacional, geração de caixa e redução da alavancagem.
- Tenda (TEND3): distribuirá R$ 78 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,6363 por ação, com pagamento em 30 de dezembro. As ações ficam ex-dividendos em 14 de agosto.











