O Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025, segundo dados do Banco Central (BC). O sistema registrou quase 80 bilhões de transações no ano, alta de 25,7% em relação a 2024, enquanto o volume financeiro cresceu 33,8%.
O valor médio de uma transação Pix chegou a aproximadamente R$ 440. A mediana, porém, ficou em R$ 36. Entre pessoas físicas, o valor médio foi de R$ 273, com mediana de R$ 50. Nos pagamentos para empresas, a média ficou em R$ 115 e a mediana em R$ 25.
De acordo com o BC, cerca de 148 milhões de pessoas físicas realizaram ou receberam pelo menos um Pix no ano. O número representa 86% da população adulta brasileira e cresceu 5% em relação ao ano anterior.
Também foram registrados 12,8 milhões de usuários pessoa jurídica, alta de 15,8% em relação a 2024 — aproximadamente 51,4% das empresas ativas no país.
Ao todo, foram cadastradas mais de 920 milhões de chaves Pix, crescimento de 12,7% em um ano. A chave aleatória representava aproximadamente metade do total. Na sequência apareciam as chaves vinculadas a celular, CPF e e-mail.
Dezembro trouxe recordes
Em dezembro, o Pix movimentou R$ 3,7 trilhões em 7,8 bilhões de transações, estabelecendo dois novos recordes: no dia 19, o sistema registrou o maior volume financeiro em um único dia, com R$ 193,47 bilhões. Já o recorde de transações ocorreu no dia 5, com 313,3 milhões de transações.
Pix amplia espaço nos pagamentos do varejo
Em 2020, primeiro ano de funcionamento, 85% das transações Pix eram realizadas entre pessoas físicas (P2P). Em 2025, essa participação caiu para 44%.
No mesmo período, as transações de pessoas físicas para empresas (P2B) ganharam participação e chegaram a 43% do total em 2025, alta de quatro pontos percentuais em relação a 2024 e de 37 pontos em relação a 2020.
No valor movimentado, as transações entre empresas (B2B, ou business to business) já representavam 47% do total em 2025. Essa modalidade passou a superar as operações entre pessoas físicas em 2023.
Apesar dos grandes volumes financeiros, a maior parte das operações do Pix envolve valores baixos. Em 2025, 71% das transações foram de até R$ 100.
Entre pessoas físicas, 59% das transações foram de até R$ 60. Já nos pagamentos de pessoas físicas para empresas, 76% das operações chegaram até R$ 60.
Transações com o governo movimentam R$ 408 bilhões
As operações envolvendo entes públicos também cresceram. Em 2025, foram realizadas 282,7 milhões de transações Pix com órgãos governamentais, alta de 44,3% em relação a 2024. O volume financeiro dessas operações chegou a R$ 407,9 bilhões.
As transações de pessoas físicas para o governo (P2G) somaram 172,2 milhões de operações, crescimento de 47% em um ano. O volume financeiro chegou a aproximadamente R$ 64,9 bilhões. O mecanismo serve, nesse contexto, para arrecadação de taxas e tributos, além de outros pagamentos.
Pix Automático, Pix Agendado, Pix Saque e Pix Troco
O Pix Automático também ganhou espaço no fim de 2025. Em dezembro, foram registradas 599,1 mil transações, mais que o dobro do mês anterior. O volume financeiro chegou a R$ 133,2 milhões, cerca de cinco vezes o registrado em novembro.
O Pix Agendado registrou 204 milhões de transações em 2025, crescimento de 56% em relação ao ano anterior. O volume financeiro chegou a pouco mais de R$ 1 trilhão, alta de 51%.
Apesar do crescimento, as operações agendadas representaram cerca de 0,3% da quantidade total de transações Pix e aproximadamente 2,8% do volume financeiro movimentado pelo sistema.
O Pix Saque registrou 19,5 milhões de transações em 2025, alta de 20,8% em relação a 2024. O volume de dinheiro em espécie retirado por meio da modalidade chegou a R$ 5,5 bilhões, crescimento de 36,5%.
Já o Pix Troco teve 102,3 mil transações, queda de 11,8%. O volume financeiro, porém, subiu 4,8%, para R$ 19,4 milhões.
Hábitos de pagamento
Pesquisa do BC sobre hábitos de pagamento mostra a mudança no comportamento dos consumidores após a criação do Pix. Em 2019, antes do lançamento do sistema, 76,6% dos pagamentos registrados nos diários da pesquisa eram feitos em dinheiro. Em 2023, o percentual caiu para 40,5%.
No mesmo levantamento, o Pix apareceu em 24,9% dos pagamentos e se tornou o meio de pagamento eletrônico mais utilizado pela população.
Quando perguntados sobre os meios de pagamento preferidos, 64,9% dos entrevistados citaram o Pix, contra 55,7% que mencionaram o dinheiro entre os dois meios de maior preferência. Entre os estabelecimentos comerciais, o Pix foi citado por 69,5%, enquanto o dinheiro apareceu em 64,4% das respostas.
A pesquisa também identificou barreiras para a utilização do sistema. Entre as pessoas que não usaram o Pix nos 12 meses anteriores ao levantamento, 37,3% apontaram falta de conhecimento sobre o meio de pagamento como principal motivo.
Entre os usuários que optaram por outro meio de pagamento em determinadas situações, 33,5% disseram que a alternativa era mais rápida e 24,2% apontaram dificuldades de acesso à internet.











