A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 14% para 13,75% ao ano na semana passada, pode trazer previsibilidade e um bom cenário para o mercado imobiliário nos próximos meses.
Em entrevista ao Monitor do Mercado, Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, disse que, mesmo em um patamar elevado, a sinalização sobre os próximos passos permite que compradores, investidores e empresas trabalhem com cenários mais concretos.
Segundo ele, a trajetória do ciclo de corte de juros no Brasil está diretamente atrelada “à evolução da inflação, das expectativas e da atividade econômica”.
As expectativas de inflação permanecem acima da meta. Nesta segunda-feira (21), a mediana das projeções do Boletim Focus apontava para uma Selic de 13,50% ao fim de 2026 e 12% em 2027.
O documento reforça que a queda dos juros pode continuar, mas depende da evolução da inflação. Ou seja, apesar de a ata indicar que o BC não pretende acelerar o ritmo de cortes, frustrando parte dos investidores, os dados de inflação podem sinalizar o rumo seguido pelo comitê.
Financiamento depende da trajetória dos juros
As taxas cobradas pelos bancos nos financiamentos imobiliários não acompanham apenas a taxa Selic atual. As instituições também consideram as expectativas para os juros futuros, além de fatores como risco de crédito e condições de mercado.
Por isso, uma redução da Selic não significa necessariamente uma queda imediata e proporcional das taxas de financiamento no mercado imobiliário. A percepção sobre o caminho dos juros também influencia decisões de compra e investimento.
Ata do Copom reforça cautela com a economia
O Copom incluiu um novo parágrafo em que reconheceu existir evidências mais robustas de desaceleração, confirmadas pelo PIB do segundo trimestre e pelo enfraquecimento do mercado de crédito livre, especialmente nas modalidades mais sensíveis aos juros.
O BC afirmou que a evolução dos empréstimos com recursos livres é compatível com um quadro de menor crescimento. O destaque foi para as modalidades de prazo mais longo, consideradas mais sensíveis à política monetária.
Segundo a equipe de macroeconomia do ASA, a questão do crédito foi a principal novidade do documento, após os dirigentes deixarem o tema de lado nos últimos comunicados e nas atas, deixando essa discussão para o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).











