O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em julho, com alta de 0,07%, e agora a inflação acumulada em 12 meses está em 4,44%, abaixo dos 4,64% de junho e do teto da meta para 2026.
Apesar da desaceleração divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11), a composição do resultado mostrou comportamentos diferentes entre os grupos. A queda dos preços de alimentos ajudou a conter a inflação, enquanto serviços apresentaram pressão acima do esperado.
Segundo o Departamento de Pesquisa Econômica do banco Daycoval, o IPCA de julho ficou levemente acima da projeção da instituição, de 0,03%. A surpresa veio principalmente do grupo de serviços, com destaque para serviços automotivos e transporte por aplicativo.
O banco projeta inflação de 5% ao final de 2026. A instituição também chama atenção para os possíveis efeitos de um cenário climático mais adverso no segundo semestre, com a ocorrência do El Niño, que pode afetar os preços de alimentos.
Serviços ficam acima do esperado para o IPCA
O resultado de julho trouxe atenção para os preços de serviços, principalmente porque esse segmento costuma apresentar maior resistência à desaceleração.
O Daycoval destacou altas em serviços automotivos, transporte por aplicativo e itens de lazer. As passagens aéreas também subiram 11,67%, em linha com a expectativa da instituição.
O chamado núcleo de inflação de serviços, que busca retirar componentes mais voláteis para identificar tendências de preços, também ficou acima do esperado. De acordo com o banco, os itens de serviços mais relacionados ao mercado de trabalho continuam exercendo pressão, embora tenham apresentado alguma moderação.
Leonardo Costa, economista do ASA, avaliou que o resultado de julho foi qualitativamente pior do que o sinalizado pelo IPCA-15 do mesmo mês, principalmente pela aceleração do núcleo de serviços.
Ainda assim, a média móvel trimestral dessazonalizada dos serviços desacelerou de uma taxa anualizada de 4,86% em junho para 4,55% em julho. A medida elimina efeitos sazonais e permite observar melhor a tendência recente dos preços.
Para Costa, a abertura dos bens industrializados foi um dos pontos positivos do resultado, com desaceleração da inflação subjacente desse segmento.
Alimentos e combustíveis ajudam a segurar inflação
O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,67% em julho e teve impacto negativo de 0,14 ponto percentual no IPCA. Dentro do grupo, a alimentação no domicílio caiu 1,14%.
O tomate teve a principal contribuição individual para a queda do índice, com recuo de 29,09%. Também houve redução nos preços da batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%).
O café registrou, ainda, queda de 17,20% nos 12 meses encerrados em julho, a maior retração nessa comparação desde o início do Plano Real. Na direção contrária, o preço do leite longa vida subiu 2,47%, enquanto as frutas ficaram 1,20% mais caras.
Já a alimentação fora do domicílio acelerou. A alta passou de 0,15% em junho para 0,55% em julho. O lanche avançou de 0,13% para 0,76%, enquanto a refeição passou de 0,15% para 0,42%.
O grupo Transportes teve alta de 0,05% em julho, mesmo com o aumento das passagens aéreas. A alta das passagens foi compensada em parte pela queda de 1,44% nos combustíveis. O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o óleo diesel teve baixa de 1,22% e o gás veicular diminuiu 0,08%.
Segundo o Daycoval, os bens administrados — preços que sofrem influência de contratos, regras ou decisões de órgãos públicos — também apresentaram resultado abaixo do esperado, principalmente devido à deflação da gasolina.
Também houve recuo nos preços de bens industriais, segundo o Daycoval, com deflação em itens como vestuário — que registrou a maior queda do IPCA (-0,66%) —, etanol, mobiliário e automóveis. O banco avalia que esse segmento segue contribuindo para um comportamento mais contido da inflação.
Energia elétrica também pressiona
O grupo Habitação registrou a maior alta entre os grupos pesquisados, de 0,99%, com impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA. A principal pressão veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,09% em julho, ante 1,53% em junho. O item teve impacto individual de 0,13 ponto percentual no índice.
O resultado incorporou reajustes tarifários em diferentes capitais. Entre eles estão aumentos em concessionárias de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Também permaneceu em vigor em julho a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. A taxa de água e esgoto subiu 0,40%, enquanto o gás encanado caiu 0,04%.











