As units do BTG Pactual recuam 4,34% nesta terça-feira (11), após terem iniciado o pregão em alta. Os papéis lideram o volume de negócios da sessão, com cerca de 15 mil operações. A queda ocorre mesmo com o lucro líquido ajustado recorde de R$ 5,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, divulgado pelo banco nesta manhã.
O mercado concentra a atenção na desaceleração das captações e no desempenho de negócios mais dependentes da atividade dos clientes. A entrada líquida de recursos do BTG Pactual somou R$ 59 bilhões entre abril e junho, abaixo dos R$ 82,8 bilhões registrados no primeiro trimestre.
Segundo o Itaú BBA, a captação líquida total foi o principal ponto negativo do balanço e atingiu o menor nível dos cinco trimestres para os quais o BTG divulga o indicador.
Os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen apontaram que a captação líquida de recursos sob gestão ficou 27% abaixo das estimativas do Itaú BBA, enquanto a captação do segmento de Wealth Management ficou 14% abaixo da projeção.
Após o balanço, o Itaú BBA manteve a recomendação de compra para as units do BTG Pactual, com preço-alvo de R$ 63. O banco afirmou que o BTG apresentou, até o momento, o resultado mais forte entre as instituições do setor.
Lucro e receita do BTG batem recorde
A alta de 23% do lucro fez o BTG Pactual bater um novo recorde neste trimestre. O resultado ficou 6% acima da estimativa do Itaú BBA. As receitas totais chegaram a R$ 10,37 bilhões, avanço de 4% na comparação trimestral e de 15,9% em 12 meses. O número também superou em 3,5% a projeção do banco.
O retorno sobre o patrimônio ajustado (ROAE), indicador que mede quanto o banco gera de resultado em relação ao capital dos acionistas, ficou em 26,7%. No segundo trimestre de 2025, o índice havia sido de 27,2%. O índice de eficiência, que relaciona as despesas operacionais às receitas, melhorou para 37,1%.
Crédito e banking sustentam resultado
O segmento de Corporate Lending & Business Banking registrou receita de R$ 2,5 bilhões, alta de 7% no trimestre e de 18,7% em 12 meses. A carteira de crédito do segmento chegou a R$ 288,5 bilhões, crescimento de 21,3% em um ano e de 2,6% em relação ao primeiro trimestre.
Os spreads, diferença entre a taxa cobrada nos empréstimos e o custo de captação dos recursos, recuaram no trimestre. Segundo o banco, o movimento ocorreu principalmente pela menor contribuição da área de Special Situations.
A carteira de pequenas e médias empresas (PMEs), por outro lado, caiu para R$ 26,6 bilhões. O montante era de R$ 28,7 bilhões um ano antes e de R$ 32,9 bilhões no primeiro trimestre. O BTG afirmou que a redução reflete uma alocação de capital ajustada ao risco nos diferentes segmentos de crédito corporativo.
Investment banking tem queda de 46%
A área de Investment Banking foi um dos pontos de pressão do balanço. A receita caiu 46% em 12 meses e 33% em relação ao primeiro trimestre, para R$ 421 milhões.
A retração ocorreu principalmente pela menor atividade no mercado de capitais de dívida. O BTG participou de 24 ofertas de dívida no segundo trimestre, que movimentaram US$ 2,5 bilhões. No mesmo período de 2025, foram 40 operações. No primeiro trimestre de 2026, foram 36.
Por outro lado, o banco participou de 18 operações de fusões e aquisições (M&A), envolvendo US$ 6,9 bilhões. No segundo trimestre de 2025, foram 15 operações.
No mercado de ações, o BTG assessorou oito ofertas, que movimentaram US$ 478 milhões.
Wealth Management sente menor atividade dos clientes
A receita do segmento de Wealth Management chegou a R$ 1,44 bilhão, alta de 16,8% em 12 meses, mas queda de 4,5% na comparação com o primeiro trimestre. Segundo o BTG, a redução trimestral ocorreu principalmente pela menor atividade dos clientes em um ambiente de mercado mais incerto.
Os ativos sob gestão do segmento somaram R$ 1,314 trilhão, crescimento de 24,4% em um ano e de 2,7% no trimestre. A captação líquida foi de R$ 29,1 bilhões, com concentração em produtos de renda fixa, segundo o banco.
O retorno sobre os ativos (ROA) do Wealth Management ficou em 45 pontos-base. O indicador relaciona o resultado gerado aos ativos administrados e ajuda a medir a rentabilidade da operação.
Carteira de crédito ampliada do BTG chega a R$ 406,8 bilhões
A carteira de crédito ampliada do BTG Pactual chegou a R$ 406,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 25% em 12 meses e de 3,7% na comparação trimestral.
O indicador inclui, além dos empréstimos tradicionais, contratos de câmbio, cartas de crédito e títulos sujeitos a exposição de crédito, como debêntures, notas promissórias, títulos imobiliários e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Do total, R$ 15,23 bilhões estavam classificados no estágio 3, que reúne créditos com deterioração significativa ou inadimplência superior a 90 dias, segundo os critérios do Banco Central.
Outros R$ 12,3 bilhões estavam no estágio 2, classificação que indica aumento significativo do risco de crédito desde a concessão da operação.











