A bateria térmica Rondo transforma horas de eletricidade solar em calor disponível depois do pôr do sol. Tijolos refratários superam 1.000 °C durante a carga e liberam essa energia conforme a fábrica precisa, permitindo produzir vapor continuamente sem armazenar eletricidade em células químicas.
Como a bateria térmica Rondo consegue guardar energia dentro de tijolos?
Os materiais refratários suportam temperaturas elevadas e já são comuns em fornos industriais. Na bateria, elementos de aquecimento elétrico irradiam energia para grandes massas de tijolos, elevando sua temperatura e armazenando calor sensível, isto é, energia associada ao aumento de temperatura do material.
A tecnologia está em operação comercial inicial em escala industrial. A Rondo já mantém unidades funcionando e, em 2025, colocou em operação uma instalação de 100 MWh na Califórnia. Isso demonstra funcionamento contínuo, embora custos e desempenho econômico ainda dependam fortemente das condições de cada projeto.

Como o calor armazenado durante o dia consegue virar vapor durante toda a noite?
Durante períodos de alta geração solar, a instalação direciona eletricidade aos aquecedores e eleva a temperatura dos tijolos. Quando a fábrica demanda energia térmica, ar circula através do núcleo aquecido, absorve calor e sai em alta temperatura para alimentar equipamentos de processo ou sistemas de produção de vapor.
O ponto central é separar o momento em que a eletricidade é consumida do momento em que o calor é utilizado. A fábrica pode carregar o sistema durante algumas horas e retirar energia térmica gradualmente durante muitas outras, mantendo uma carga industrial mais constante mesmo quando a geração fotovoltaica já terminou.
Por que armazenar calor diretamente pode ser mais útil do que recuperar eletricidade?
Muitas fábricas não precisam de eletricidade no fim do processo energético, mas de vapor, ar quente ou calor para secagem, destilação, cozimento e reações químicas. Converter calor armazenado novamente em eletricidade apenas para produzir calor depois acrescentaria equipamentos e novas etapas de conversão.
Essa lógica não torna a solução ideal para toda instalação. A competitividade depende da temperatura exigida, número de horas de armazenamento, espaço disponível e custo da eletricidade durante a carga. Os principais pontos de atenção incluem:
- Garantir oferta de eletricidade barata ou renovável durante horas suficientes para carregar o sistema.
- Dimensionar capacidade térmica e potência de descarga conforme o consumo contínuo de vapor da fábrica.
- Limitar perdas de calor enquanto os tijolos permanecem em temperaturas superiores a 1.000 °C.
- Integrar o novo equipamento a caldeiras, tubulações e controles industriais já existentes.
- Comparar investimento e custo do calor entregue com gás, eletricidade direta e outras formas de armazenamento térmico.
O que a unidade de 100 MWh na Califórnia demonstra em escala comercial?
Em 2025, uma Rondo Heat Battery de 100 MWh entrou em operação comercial numa instalação de produção de combustíveis na Califórnia. A unidade é carregada por um campo solar fotovoltaico local e fornece calor e vapor continuamente, inclusive durante as horas sem geração solar.
O registro técnico da instalação Holmes Western informa temperaturas superiores a 1.000 °C e eficiência acima de 97% da eletricidade de entrada até a energia térmica entregue. Para interpretar essa escala, alguns parâmetros são importantes:
- Os 100 MWh representam capacidade de energia térmica armazenada, não potência elétrica contínua de 100 MW.
- A duração efetiva depende da potência de vapor ou calor exigida pela instalação em cada momento.
- O sistema trabalha ao lado das caldeiras existentes, permitindo que diferentes fontes atendam a mesma rede térmica.
- A carga ocorre principalmente quando a geração solar está disponível, enquanto a descarga pode continuar durante a noite.
- O desempenho econômico depende do custo conjunto da geração renovável, armazenamento e integração industrial.

Onde a bateria térmica Rondo pode fazer mais sentido dentro da indústria?
Setores que consomem vapor ou calor continuamente são os candidatos mais diretos. Produção de combustíveis, alimentos, produtos químicos, cimento e outras operações térmicas podem usar armazenamento para deslocar eletricidade de horas solares para períodos noturnos sem interromper processos que precisam funcionar durante todo o dia.
A bateria térmica Rondo mostra que materiais tradicionais de forno podem assumir uma função nova na transição energética. Em vez de competir com baterias químicas em todas as aplicações, os tijolos atacam um problema específico: transformar eletricidade renovável intermitente em uma fonte contínua de calor para fábricas que já consomem grandes volumes de vapor.
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