O dólar à vista fechou esta terça-feira (1) em queda de 0,47%, a R$ 5,15. Segundo operadores, a desvalorização refletiu a redução dos prêmios de risco nos ativos brasileiros diante da percepção de uma disputa mais acirrada na eleição presidencial de 2026.
O movimento ocorreu mesmo com a valorização da moeda norte-americana no exterior e a alta das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Em fala ao Broadcast, Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, disse que investidores passaram a considerar a oposição como a principal alternativa para uma eventual mudança na política econômica a partir de 2027, com expectativa de ajuste das contas públicas.
Ele também citou as últimas pesquisas eleitorais e as sinalizações do senador Flávio Bolsonaro como fatores acompanhados pelo mercado. O movimento ganhou força após notícias sobre encontros entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo informações publicadas pelo Blog de Fausto Macedo, do Estadão, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicariam um encontro entre os dois antes da primeira prisão do banqueiro.
Também foram divulgadas informações sobre cartões de crédito emitidos pelo Banco Master, em outubro de 2025, para filhos de Moraes, com limite de R$ 300 mil. O material também menciona contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro.
Petróleo sobe mais de 4% e afeta o câmbio
O petróleo subiu mais de 4%, em meio ao aumento dos ataques entre EUA e Irã. A alta da commodity tem efeitos diferentes sobre o real. Por um lado, o petróleo mais caro aumenta a percepção de risco global e pode elevar os rendimentos dos Treasuries, pressionando moedas de países emergentes.
Por outro lado, como o Brasil é exportador de petróleo, preços mais altos podem melhorar os termos de troca, indicador que compara os preços dos produtos exportados com os preços dos produtos importados. Isso pode aumentar a entrada de dólares no país e favorecer o real.
Nesta terça-feira, a moeda brasileira apresentou o segundo melhor desempenho entre as principais divisas, atrás apenas do peso colombiano.
Dólar sobe no exterior antes do payroll
Apesar de indicadores econômicos abaixo das expectativas nos EUA, o dólar ganhou força contra outras moedas. Por volta das 17h, o índice DXY, que acompanha o dólar ante uma cesta de seis moedas desenvolvidas, subia 0,26%, aos 99,689 pontos, após atingir 99,722 pontos.
Os investidores agora aguardam o payroll de agosto, relatório mensal de emprego dos Estados Unidos, que será divulgado na sexta-feira (4).
As apostas de uma alta dos juros americanos neste mês continuam no radar do mercado, especialmente após o tom adotado pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, durante o Simpósio de Jackson Hole na semana passada.











