As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira (2) que o planeta deve ultrapassar a barreira de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos, com prejuízos econômicos já estimados em 2% do PIB global, conforme publicado pela Agência Brasil.
A temperatura média global já está 1,37°C acima dos níveis pré-industriais e avança 0,26°C por década, segundo Thelma Krug, presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Nesse ritmo, restariam três ou quatro anos para limitar o aquecimento se as emissões atuais forem mantidas.
Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, o anúncio exige esforços urgentes. “Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos”, afirmou. Guimarães defende redução imediata da queima de combustíveis fósseis, fim da conversão de florestas e mudança na relação com a natureza.
Prejuízos no PIB e custo da transição
O economista Sergio Margulis, especialista do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, detalhou que perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam 2% do PIB global. Para evitar que esses prejuízos cresçam, o mundo precisa elevar os investimentos em descarbonização dos atuais US$ 2 trilhões para US$ 5 trilhões por ano, segundo Margulis. “Não tem como fugir disso”, afirmou. Ele ressaltou que adaptação não resolve o problema físico do aquecimento e que os países precisam parar com as emissões.
Alerta para a COP31
O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, afirmou que abandonar a meta de devolver os termômetros a 1,5°C “seria assinar um pacto coletivo de suicídio”. Para Angelo, o pico e o declínio das emissões não ocorrerão enquanto países produtores de combustíveis fósseis tratarem essas indústrias como benesse. Ele defende a suspensão imediata da expansão fóssil no mundo e vê a COP31, daqui a dois meses, como oportunidade para essa decisão.
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