Os mercados globais têm desempenho misto nesta quinta-feira (3), após os principais índices de Nova York interromperem uma sequência de três pregões consecutivos de perdas. O ambiente, no entanto, segue marcado pela escalada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, consequente alta do petróleo e pela expectativa em torno do payroll de agosto, que será divulgado nesta sexta-feira e deve influenciar as apostas do mercado sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quinta-feira (3), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
A tensão no Oriente Médio voltou a aumentar nesta quinta-feira. O Exército do Irã afirmou ter bombardeado bases dos Estados Unidos localizadas no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Segundo as informações, esta é a primeira vez desde julho que Teerã realiza um ataque sem ter sido previamente atingido, mesmo diante das ameaças do presidente americano, Donald Trump, de promover novos bombardeios.
O governo do Kuwait repudiou a ofensiva iraniana, classificando o episódio como uma “agressão descarada” e uma “escalada perigosa”. O ataque ocorre em meio a uma nova rodada de bombardeios entre os dois países e pode refletir uma mudança na postura de Teerã diante do conflito. Segundo uma autoridade iraniana de alto escalão ouvida pela Reuters, o país pode adotar uma posição mais ofensiva caso a via diplomática com os Estados Unidos fracasse.
Enquanto os ataques se intensificam, os Estados Unidos também ampliam as operações de escolta no Estreito de Ormuz. Militares americanos acompanharam 40 embarcações comerciais que transportavam, ao todo, 18 milhões de barris de petróleo pela rota, conforme publicou a CNN.
O volume representa um recorde em tempos de guerra, registrado enquanto Estados Unidos e Irã trocavam uma nova rodada de ataques na terça-feira. Antes do início da guerra, há pouco mais de seis meses, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passavam diariamente pelo Estreito de Ormuz.
Nesse cenário, os contratos futuros do petróleo ultrapassam US$ 97 por barril, em um pregão volátil, influenciados pelo risco de um prolongamento da escalada militar entre Estados Unidos e Irã, que aumenta as preocupações com o fornecimento da commodity.
O Brent acumulou alta superior a 8% nas últimas três sessões, apesar de Trump ter sugerido que a recente campanha de bombardeios americanos contra o Irã poderia ter curta duração. Segundo a agência estatal iraniana IRIB, os ataques desta quinta-feira tiveram como alvo bases americanas no Kuwait.
Também está no radar a queda de 4,5 milhões de barris nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na semana passada, a primeira redução registrada desde o fim de julho.
Com o cenário geopolítico ainda no centro das atenções, os investidores também aguardam o relatório de emprego dos Estados Unidos. O payroll de agosto, previsto para esta sexta-feira, deve servir como um dos principais indicadores para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Fed.
Brasil: mercado segue de olho no rali eleitoral
No Brasil, a atenção do mercado se volta para a Pesquisa DataFolha, após o levantamento da Quaest reforçar a percepção de uma disputa eleitoral mais acirrada e de maior possibilidade de alternância de poder. A reação do mercado foi expressiva na quarta-feira. O Ibovespa avançou 3%, registrando sua maior alta percentual em um único pregão desde março.
Divulgada nesta quinta-feira, a nova pesquisa PoderData para as eleições presidenciais aponta um cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na principal simulação de segundo turno.
Flávio aparece numericamente à frente, com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. Como a diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro do levantamento, os dois candidatos estão tecnicamente empatados. Nesse cenário, os votos brancos e nulos somam 8%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
A pesquisa também testou outros três cenários de confronto direto. Em uma disputa entre Lula e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG), o atual presidente aparece com 44%, ante 42% do adversário. Os votos brancos e nulos somam 12%, enquanto 2% dos entrevistados estão indecisos.
O mesmo placar é registrado na simulação contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União-GO). Lula marca 44% das intenções de voto, contra 42% de Caiado. Nesse cenário, os votos brancos e nulos representam 11%, enquanto 2% não sabem ou não responderam.
A maior diferença entre os cenários estimulados aparece em um eventual confronto com Renan Santos (Missão). Lula registra 44%, enquanto o adversário soma 39% das intenções de voto. Nessa hipótese, os votos brancos e nulos chegam a 15%, e os indecisos permanecem em 3%.
Manchetes desta manhã
- BC decreta liquidação extrajudicial de distribuidoras de títulos de ex-sócio de Vorcaro (Valor)
- Advogado e ex-diretor da Fazenda de SP são presos em ofensiva contra esquema de fraudes do ICMS (Folha)
- Justiça determina afastamento de sócios da Apex e nomeia novo administrador interino (Estadão)
- Sem revisão de gastos, pode faltar recursos para políticas públicas a partir de 2028, admite governo (O Globo)
Mercado global opera misto com alta do petróleo e expectativa pelo payroll
Em Nova York, os índices futuros operavam mistos no início da sessão, diante da estabilização do petróleo e dos Treasuries, enquanto o mercado aguarda o payroll de agosto, previsto para esta sexta-feira, e que deve orientar as apostas para os próximos passos do Fed.
As bolsas europeias também operam mistas, após a retomada dos ataques no Oriente Médio, com o petróleo acima de US$ 90 por barril, reacendendo preocupações com a inflação. Em contrapartida, os rendimentos dos títulos da zona do euro recuam após os picos recentes.
No mercado local, a Deutsche Telekom sobe 1,63%, após relatos de que a gestora Elliott adquiriu participação na companhia.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, em meio à volatilidade das ações de tecnologia e à espera dos dados de emprego dos EUA, que podem sinalizar os próximos passos do Fed.
No Japão, o Nikkei fechou no negativo, pressionado pela valorização do iene a 156,340 por dólar, após declarações do BoJ favoráveis à aceleração dos juros. Em Hong Kong, a Shein perdeu 8,7% em seu 3º pregão após o IPO local.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,07%
- FTSE 100: +0,34%
- CAC 40: -0,27%
- Nikkei 225: -0,17%
- Shanghai SE Comp: +0,02%
- Hang Seng: -0,39%
- Ouro (jun): +2,25%, a US$ por 4.513,84 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,52%, aos 99,04 pontos
- Bitcoin: +2,19% a US$ 78.284,7
Commodities – petróleo ultrapassa US$ 97 por barril
- Petróleo: opera em alta, em sessão volátil, com o Brent acima de US$ 97 por barril, refletindo o aumento das preocupações com o fornecimento da commodity diante do temor de uma escalada prolongada da ofensiva militar no Oriente Médio, após a retomada dos ataques entre EUA e Irã.
Nos EUA, os estoques de petróleo caíram 4,45 milhões de barris na última semana, marcando a primeira redução desde o fim de julho.
O Brent/novembro sobe 1,45%, cotado a US$ 97,02 e o WTI/outubro avança 1,69%, a US$ 92,55. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,32% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,1/ton.
Cenário internacional – dados econômicos e escalada geopolítica sob atenção dos mercados
Os mercados acompanham nesta quinta-feira uma agenda carregada de indicadores econômicos ao redor do mundo. Entre os destaques estão as divulgações dos índices de gerentes de compras (PMIs) compostos, incluindo os dados do Brasil e dos Estados Unidos.
Nos EUA, a agenda ainda reúne novos sinais sobre o mercado de trabalho, com a divulgação dos números semanais de pedidos de auxílio-desemprego. Pela manhã, os investidores também acompanham os dados da balança comercial de julho e o índice ISM do setor de serviços.
O noticiário americano segue movimentado ao longo do dia com participações de dirigentes do Federal Reserve. Às 9h30, Christopher Waller participa de um evento virtual sobre as perspectivas para a economia. Mais tarde, às 16h, Beth Hammack e Austan Goolsbee participam de um evento institucional virtual.
Na Europa, os dados mais recentes reforçaram a pressão sobre os preços na cadeia produtiva. Na zona do euro, o índice de preços ao produtor (PPI) avançou 1,6% em julho ante junho, registrando a maior alta desde março e superando a projeção de crescimento de 1,2%. O resultado também reverteu a queda de 0,3% observada em junho.
O movimento foi impulsionado principalmente pela alta de 5,6% nos custos de energia, após o gás natural europeu registrar uma disparada de quase 70%. Os preços dos bens de capital subiram 0,3%, enquanto os de bens duráveis e intermediários permaneceram estáveis. Já os preços dos bens não duráveis recuaram.
Ainda no cenário europeu, o banco central da Holanda, De Nederlandsche Bank (DNB), informou na quarta-feira que transferiu cerca de 86 toneladas de ouro — pouco mais de um quarto de suas reservas mantidas em Nova York e Ottawa — para Londres entre março e agosto.
A decisão foi atribuída ao “aumento da instabilidade geopolítica” e ao reforço da “preparação para crises”. Segundo o DNB, o ouro agora custodiado pelo Bank of England pode ser negociado com mais facilidade em uma situação de crise do que as barras que permaneciam armazenadas nos Estados Unidos e no Canadá.
Brasil: política e comércio exterior entram no radar
No Brasil, o mercado também acompanha uma agenda política movimentada. Às 13h55, a Câmara dos Deputados vota a medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas”.
Mais tarde, às 15h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia o zeramento da fila de atendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No âmbito do comércio exterior, a indústria brasileira de carne bovina trabalha para recuperar a habilitação do país para exportar o produto à União Europeia. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou nesta quarta-feira que o setor segue atuando para reincluir o Brasil entre os países autorizados a vender carne ao bloco, após o Ministério da Agricultura já ter apresentado garantias oficiais.
O esforço ocorre depois de a União Europeia confirmar, na véspera, que suspenderá, a partir de hoje, as importações de carnes brasileiras. A decisão foi justificada pela avaliação de que o Brasil não conseguiu assegurar o cumprimento das normas do bloco relacionadas ao uso de substâncias antimicrobianas.
A exclusão do Brasil da lista de países aptos a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia havia sido divulgada inicialmente em maio.
Destaques do mercado corporativo
- CSN: Fabio Schvartsman assume a presidência executiva da companhia, substituindo Benjamin Steinbruch, que deixa o comando após mais de 30 anos e passa a presidir o conselho de administração.
- Refit: a Justiça determinou a reintegração de trabalhadores demitidos coletivamente e o depósito de R$ 10 milhões para garantir obrigações trabalhistas após a falência do grupo.
- Compass: teve seu valor revisto para baixo nas novas estimativas do Goldman Sachs sobre a Cosan.
- Raízen: também entrou na revisão de premissas do Goldman Sachs, que reduziu o valor atribuído aos ativos do grupo na análise sobre a Cosan.
- BRB: a manutenção da nota C para a capacidade de pagamento do Distrito Federal dificulta a obtenção de garantia da União e o plano de captação de R$ 6,6 bilhões relacionado ao rombo do Master.
- Santander: encerrou a parceria com a American Express para emissão de cartões no Brasil, com bloqueio gradual dos produtos para novas compras.
- Ambipar: o STJ manteve suspensa a assembleia de credores e interrompeu a contagem do período de proteção contra execuções enquanto aguarda nova decisão sobre a recuperação judicial.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta quinta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:











