As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) disparam nesta quinta-feira (3) após anunciar a saída de Benjamin Steinbruch, que estava no comando executivo desde 2002. Os papéis CSNA3 chegaram a subir 18,06% logo após a abertura, liderando as altas do Ibovespa e entrando em leilão.
Às 11h30, a alta havia diminuído, mas as ações seguem isoladas na liderança da Bolsa. O movimento, no entanto, destoa do comportamento da companhia na B3 nos últimos 5 anos (-81%). No acumulado de 2026, a perda é de 24%.
Conforme noticiou o Estadão, a partir desta quinta-feira, Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, e com passagens por Klabin e Ultrapar, assume o posto. Já Steinbruch passará a concentrar sua atuação na presidência do conselho de administração.
Reação do mercado à mudança no comando da CSN (CSNA3)
A alteração ocorre enquanto a CSN trabalha para reduzir seu endividamento e reorganizar a estrutura de capital. A companhia fechou o segundo trimestre com uma dívida líquida de R$ 42 bilhões e uma alavancagem próxima de 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
Em janeiro, a companhia anunciou um plano de reestruturação financeira baseado na venda de ativos e na entrada de sócios em determinados negócios. A expectativa é reduzir a dívida em aproximadamente R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões por meio de desinvestimentos. Entre os ativos considerados estão negócios de infraestrutura, energia e operações internacionais.
CSN Cimentos é peça central do plano
Um dos principais movimentos para a redução da dívida é a venda da CSN Cimentos. O processo avançou e a companhia espera definir a proposta vencedora nos próximos meses. Segundo o Estadão, a operação pode ocorrer até meados de outubro, com avaliações de mercado entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões, considerando também a dívida da cimenteira.
A venda faz parte da estratégia de desalavancagem da CSN. O termo descreve a redução do nível de endividamento da companhia em relação à sua capacidade de geração de caixa.
BTG Pactual vê troca como positiva para a tese, mas segue neutro
Para o BTG Pactual, a mudança no comando foi inesperada, mas é considerada positiva para a tese de investimento em CSN. O banco destaca o perfil de Schvartsman e sua experiência à frente de grandes companhias brasileiras.
Na avaliação do BTG, a chegada do executivo pode contribuir para reconstruir a confiança dos investidores, com maior foco em desalavancagem, disciplina de capital e venda de ativos.
Apesar da mudança no comando e da expectativa de melhora na percepção sobre governança e disciplina financeira, o BTG Pactual mantém recomendação neutra para CSNA3, com preço-alvo de R$ 10. A avaliação do banco considera que a companhia ainda enfrenta desafios relacionados ao elevado endividamento, à geração de fluxo de caixa e à execução do programa de venda de ativos.











