A jornalista e ativista Gloria Steinem morreu nesta quinta-feira (3), aos 92 anos, em Nova York, conforme confirmado pela Folha de S.Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela fundação que leva seu nome.
Steinem deixa um legado que atravessa o jornalismo e a economia. Cofundadora da revista Ms., em 1972, ela tratou de igualdade salarial e assédio sexual, segundo a CNN Brasil, que relembra sua reportagem “A Bunny’s Tale” de 1963, quando trabalhou disfarçada como coelhinha da Playboy por 11 dias para expor baixos salários.
Gloria Steinem via igualdade salarial como estímulo econômico
Steinem defendia que a igualdade salarial não era apenas uma questão de justiça, mas o “maior estímulo econômico” que os Estados Unidos poderiam ter. Em discursos e ensaios, estimava que pagar igualmente às mulheres injetaria cerca de US$ 200 bilhões por ano na economia americana. Ela também defendia que o trabalho de cuidado — que considerava equivalente a um terço do trabalho produtivo — fosse contabilizado e dedutível no imposto de renda.
Para a economista e colunista Thaís Barcellos, o debate continua atual. Em análise de dados do IBGE, ela explicou que, se as mulheres recebessem o mesmo que os homens, poderiam começar a trabalhar em 22 de março, em vez de trabalhar “de graça” por 80 dias até igualar a renda masculina anual, conforme apurou o site O Povo.
O cenário brasileiro
No Brasil, a Lei de Igualdade Salarial (14.611/23) foi validada pelo Supremo Tribunal Federal em maio de 2026, mas os dados mostram persistência da desigualdade. A diferença salarial por hora chega a 22%, de acordo com o IBGE, e o país ocupa a 118ª posição em ranking do Fórum Econômico Mundial sobre percepção de equidade salarial.
Para Eutália Barbosa, secretária-executiva do Ministério das Mulheres, reduzir essa diferença “é fundamental também para fortalecer o desenvolvimento econômico e social do País”. Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, acrescenta que o gargalo está na remuneração e na ascensão a cargos de liderança, não na qualificação.
Um livro por vir e um legado em disputa
A ativista faleceu pouco antes do lançamento de um livro de memórias previsto para o outono de 2026, conforme registrou a RTP. Em 2013, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade de Barack Obama, que afirmou: “Por causa de seu trabalho, mais mulheres têm o respeito e as oportunidades que merecem.”
O legado econômico de Steinem segue em disputa no Brasil. Enquanto a Lei 14.611 avança, a diferença salarial permanece praticamente estável, e o trabalho de cuidado continua sem remuneração. O que fica é a cobrança para que igualdade de gênero deixe de ser discurso e vire política econômica.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











