O El Niño previsto para os próximos meses deve alcançar intensidade “muito forte” e persistir até fevereiro de 2027, com probabilidade próxima de 100%, segundo alerta divulgado pela Agência Brasil com base na Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, pode provocar secas no Norte e Nordeste do Brasil e chuvas excessivas no Sul, afetando a produção agrícola e pressionando os preços dos alimentos.
De acordo com a OMM, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial atingiram entre +2,2°C e +2,6°C entre o fim de julho e meados de agosto de 2026, patamar típico de um evento “muito forte”. É a primeira vez em 50 anos de histórico da organização que uma atualização sobre El Niño/La Niña é tão inequívoca, refletindo forte concordância entre os centros de previsão globais.
O impacto econômico já começa a ser calculado. Estudo do Itaú Unibanco projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária terá retração de cerca de 1,5% em 2027, impulsionado por uma quebra estimada de 17% na safra de milho. Em 2026, o setor deve crescer 3%, uma desaceleração significativa em relação aos 12% de 2025, segundo o banco.
A pesquisa também estima impacto adicional de 0,3 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 via alimentos in natura, como hortaliças e frutas, e alerta para risco às bandeiras tarifárias de energia em 2027, caso os reservatórios das hidrelétricas sejam afetados pela estiagem.
Medidas de prevenção no campo
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu da Embrapa um conjunto de 163 medidas de gestão de riscos climáticos para a safra 2026/27. As ações incluem práticas de manejo do solo, irrigação eficiente e diversificação de culturas, com o objetivo de reduzir perdas e preservar a produtividade. A implementação dessas recomendações será decisiva para mitigar os efeitos do El Niño sobre a oferta de alimentos e a renda dos produtores rurais.
Além da agricultura, o fenômeno pode elevar as temperaturas globais. A OMM prevê que 2027 pode se tornar o ano mais quente já registrado, superando o recorde atual de 2024, que também sucedeu a um El Niño. Essa combinação de calor extremo e alterações no regime de chuvas tende a ampliar os riscos para a segurança alimentar e a estabilidade de preços em diversos países, incluindo o Brasil.
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