Após quatro cortes seguidos na taxa Selic, o mercado vive a expectativa de qual será a postura adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nas reuniões de 15 e 16 de setembro. No mercado imobiliário, a queda dos juros começa a abrir caminho para a parcela da população que não é tão dependente do crédito bancário para comprar imóveis.
O atual patamar de 14% da Selic segue restringindo o acesso para boa parte das famílias brasileiras. No entanto, o segmento de alto padrão tem se mostrado mais resiliente à Selic elevada.
Levantamentos do setor mostram que a compra de imóveis de luxo depende menos de financiamento bancário tradicional e mais de capital próprio, herança ou investimento, e é também por isso que mercados de alto padrão, como Leblon, no RJ, Itaim Bibi, em São Paulo, além da Barra, em Salvador, podem manter uma demanda mais resiliente mesmo em cenários de juros elevados.
Compradores de médio e alto padrão em compasso de espera
Para especialistas do mercado imobiliário, a expectativa de queda gradual da Selic ao longo dos próximos meses deve representar uma demanda que hoje está em compasso de espera, especialmente entre compradores de médio e alto padrão que aguardam condições de financiamento mais favoráveis para voltar a negociar.
Segundo Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária – Boutique, a queda dos juros já começa a influenciar o comportamento desse perfil de comprador. “No alto padrão, esse movimento não está necessariamente ligado à necessidade de financiamento, mas principalmente à percepção de oportunidade. O comprador passa a acompanhar os preços, comparar imóveis e entender que, com uma trajetória de juros descendente, pode haver menos espaço para negociação no futuro.”
Na visão do executivo, o movimento também pode favorecer quem já possui capital disponível, especialmente em um mercado no qual imóveis com características específicas têm oferta limitada.
“Este mercado [alto padrão] tem uma dinâmica um pouco diferente porque existe uma parcela significativa de compradores que utiliza capital próprio. Por isso, mesmo em um cenário de juros elevados, esse público continua ativo. A redução da Selic, porém, pode ampliar esse movimento, porque melhora o ambiente econômico como um todo e também faz com que investidores voltem a considerar o imóvel como uma alternativa interessante dentro da composição do patrimônio”, afirmou Isnard.
Redução gradual do custo do crédito para comprar imóveis
Por outro lado, segundo Isnard, quem depende de financiamento tende a se beneficiar de parcelas menores. À medida que a Selic recua, o ambiente tende a favorecer uma redução gradual do custo do crédito, embora o impacto sobre as condições efetivamente oferecidas pelos bancos não seja imediato nem necessariamente proporcional a cada corte.
“Não acredito que o comprador deva simplesmente esperar a Selic chegar a um determinado patamar para tomar uma decisão. No mercado de alto padrão, cada imóvel tem características muito específicas e a oferta de boas oportunidades é limitada”, disse.
Para ele, “se o imóvel atende ao que o comprador procura e existe uma condição interessante de negociação, esperar alguns meses por uma queda maior dos juros pode significar encontrar um cenário diferente de preço e disponibilidade. Por isso, mais importante do que tentar acertar o melhor momento do mercado é identificar boas oportunidades”, finalizou o CEO.











