A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta terça-feira (8), para manter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (foto), e, do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, conforme a decisão do ministro André Mendonça.
A decisão foi tomada no âmbito das investigações do Banco Master e da Operação Compliance Zero, que apuram fraudes financeiras bilionárias envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Agência Brasil, Mendonça atendeu a pedido do partido Novo e alegou ser alvo de “monitoramento sistemático” e “ilícito” da inteligência da PF.
O relator citou ofício assinado por Andrei Rodrigues indicando que ao menos seis relatórios teriam sido produzidos tendo Mendonça como alvo entre 3 e 31 de agosto. Mendonça descreveu como “apócrifo” um documento tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes, por não ter timbre ou símbolo gráfico, o que impediria conferência de autoria e data de elaboração.
O afastamento ocorre em meio a um confronto aberto entre ministros do STF. Após Mendonça tornar públicas mensagens recuperadas do celular de Vorcaro que apontariam proximidade com Moraes, o ministro enviou ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedido de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade. Uma das mensagens sugere que Moraes teria recebido e editado um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro.
Nesta terça, a Segunda Turma do STF formou maioria de três votos para manter o afastamento, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes, mas a liminar segue em vigor. O caso expõe tensão entre Poderes e pode reconfigurar as apurações de fraudes financeiras, com potencial impacto na confiança do mercado e na previsibilidade institucional.
A decisão de afastar a cúpula da PF no contexto de um caso bilionário levanta questões sobre a continuidade das investigações e a governança das instituições. O Banco Master e a Operação Compliance Zero apuram corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras, e o afastamento dos responsáveis pela inteligência policial pode afetar o andamento dos inquéritos. A Segunda Turma ainda deve concluir o julgamento após a análise do pedido de vista.











