As taxas dos títulos do Tesouro Direto caem na tarde desta terça-feira (8) aos menores níveis desde maio. O Tesouro Prefixado 2029 recuou de 13,87% para 13,84% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA+7,85% para IPCA+7,80%.
Segundo dados do Valor Investe, o movimento reflete o avanço do “trade eleitoral”, após a pesquisa Quaest mostrar empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos com 41% das intenções de voto. O cenário reforça as apostas de que o Banco Central (BC) continuará cortando a taxa Selic — hoje em 14% ao ano.
A semana concentra indicadores capazes de acelerar ou brecar a trajetória das taxas. Nos Estados Unidos, a inflação ao produtor (PPI) sai na quinta-feira (10) e a inflação ao consumidor (CPI) na sexta (11), ambos com expectativa de alta de 0,4%. Já no Brasil, a inflação (IPCA) de agosto sairá sexta-feira.
Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed) e o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidem juros na chamada “superquarta”. A maioria do mercado vê 60% de chance de o Fed elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual (p.p.), enquanto o Copom deve cortar a Selic em 0,25 p.p.
Por que as taxas caem?
O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgado na semana passada, mostrou forte desaceleração no consumo das famílias e de serviços e levou o mercado a recalibrar expectativas de inflação e juros.
As apostas de corte de 0,25 p.p. na Selic em 4 de novembro são de 58%, enquanto as chances de manutenção passaram a ser negociadas a 26%. Há ainda 10% de chances de um corte maior, de 0,50 p.p.
Onde travar retornos
Desde o mês passado, uma das principais recomendações em títulos públicos é o Tesouro IPCA+ 2032, cujo retorno real segue alto na comparação internacional. O Tesouro IPCA+ 2040 retorna IPCA+7,29% e o IPCA+ 2050, IPCA+7,25%, ambos praticamente estáveis na comparação diária.
Para João Aboudni, analista de renda fixa da EQI Research, o Tesouro Prefixado 2029 desponta como alternativa atrativa em agosto, especialmente para quem já está muito concentrado em Selic. Pelas contas da casa, travar a taxa de 13,84% ao ano pode render o equivalente a aproximadamente 112% do CDI até o vencimento. É uma aposta em cortes de juros que ainda não está dada e, por isso, carrega risco.
A inflação projetada para prazos ao redor de dois anos e meio gira em torno de 5,4%, acima do centro da meta, segundo cálculos da EQI. Como a remuneração dos prefixados supera com folga essa inflação esperada, sobra margem de proteção para quem carrega o papel.
Quem planeja resgatar antes do vencimento precisa considerar a marcação a mercado. Se a taxa cair após a compra, o preço do título sobe e gera bônus; se subir, o preço cai e há desconto na venda. Para reserva de emergência, o Tesouro Selic segue como a opção de menor volatilidade e maior liquidez.











