As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em valor em agosto, na comparação anual. Apesar do avanço mensal, as vendas acumuladas no ano recuaram 9,7%, para US$ 24,1 bilhões — o menor resultado para o período desde 2023.
Os dados divulgados nesta quarta-feira (9) fazem parte do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat. Em agosto, o aumento em valor ocorreu junto a uma queda de 17,3% na quantidade exportada. O volume foi o menor registrado para um mês de agosto desde 2021.
Segundo a Amcham Brasil, a alta do valor foi sustentada pelo aumento dos preços médios. Alguns produtos também registraram crescimento na quantidade vendida, como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café.
Para o presidente da entidade, Abrão Neto, “o comércio bilateral permanece em trajetória de retração, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”.
Produtos com sobretaxas têm queda maior
A comparação de agosto ocorre sobre uma base que já havia sido afetada pelas tarifas adicionais de 40% e 50% aplicadas pelos Estados Unidos a partir de agosto de 2025. Mesmo com o crescimento das exportações totais em valor, os produtos atualmente sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram queda de 10,5% em agosto.
No acumulado entre janeiro e agosto, a retração desse grupo foi de 29,1%. As exportações passaram de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.
Considerando todos os produtos submetidos a sobretaxas, a queda foi de 11,4%. Entre os bens sem sobretaxa, o recuo foi de 8,3%. Dos dez principais produtos sujeitos às tarifas de 25% a 37,5%, nove tiveram queda nas vendas aos Estados Unidos no acumulado do ano.
Entre as maiores retrações estão madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).
Exportações da indústria, agro e extrativa recuam
A retração das exportações para os Estados Unidos alcançou os três grandes setores da economia brasileira. Entre janeiro e agosto, as vendas da indústria de transformação aos Estados Unidos caíram 4,9%. Para os demais mercados, porém, as exportações do setor cresceram 6,6%.
Na indústria extrativa, as vendas aos Estados Unidos recuaram 28,9%, enquanto os embarques para os demais países aumentaram 19,6%.
Já as exportações da agropecuária ao mercado norte-americano caíram 26,7%, ante crescimento de 9,5% nas vendas para os demais destinos.
A indústria de transformação responde por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. A queda registrada entre janeiro e agosto foi a primeira retração das vendas do setor ao mercado norte-americano desde 2020.
Mesmo com o recuo, os Estados Unidos continuaram como principal destino das exportações industriais brasileiras, com participação de 15,5%.
Petróleo e celulose também registram recuo
Entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis apresentaram queda.
Em quatro deles, a redução das vendas ao mercado norte-americano ocorreu enquanto as exportações para o restante do mundo cresceram.
É o caso do petróleo bruto, cujas vendas aos Estados Unidos caíram 31,5%. Os semimanufaturados de ferro ou aço recuaram 4,3%, o ferro-gusa caiu 8,1% e a celulose teve redução de 1,9%.
Importações dos EUA voltam a crescer
Do lado das importações, as compras brasileiras de produtos norte-americanos aumentaram 1,1% em agosto. Foi o segundo mês consecutivo de crescimento, depois de sete meses de retração.
No acumulado de 2026, porém, as importações ainda permanecem em queda. No período, o Brasil importou US$ 27,3 bilhões dos Estados Unidos, redução de 8,6% na comparação anual. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 3,2 bilhões no comércio de bens com os Estados Unidos no acumulado de 2026.











