Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente as negociações para tentar reverter as tarifas punitivas aplicadas a produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Em reunião virtual realizada em 31 de agosto, os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, encontraram-se com o Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, e reafirmaram a disposição de dialogar, mas deixaram claro que o Brasil não aceita medidas unilaterais. A informação foi divulgada em nota conjunta do MDIC e do MRE.
No encontro virtual de 31 de agosto, não houve acordo, mas as partes concordaram em realizar novas reuniões ministeriais e técnicas ao longo de setembro, em formato virtual ou presencial.
A retomada do diálogo ocorre depois que o presidente Donald Trump orientou o USTR a buscar um acordo com o Brasil, conforme revelou o ministro Márcio Elias Rosa em entrevista à CNN Brasil.
Sobretaxas dos EUA ao Brasil atingem 3.985 produtos
As rodadas de tarifas americanas — 25% da Seção 301, em vigor desde 22 de julho de 2026, e 12,5% adicionais por alegações de trabalho forçado, desde 24 de julho — alcançam simultaneamente 3.985 produtos, equivalentes a US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em exportações brasileiras, segundo cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A alíquota combinada chega a 37,5%, e a tarifa de 25% sozinha incide sobre cerca de 26% da pauta exportadora do Brasil para os EUA.
Exportações para os EUA recuaram 9,7% no acumulado do ano
O impacto já aparece nos dados de comércio. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,7%, somando US$ 24,1 bilhões, o menor valor para o período desde 2023, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA da Amcham Brasil. Os produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram retração ainda mais intensa, de 29,1% no mesmo intervalo.
No comunicado, o governo brasileiro afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações da Seção 301 não correspondem às práticas brasileiras. O lado americano apontou supostas práticas desleais em áreas como pagamentos eletrônicos (Pix) e acesso ao mercado de etanol, alegações rejeitadas pelo Brasil. O setor de madeira é o mais exposto: 83% de suas exportações aos EUA estão sujeitas à alíquota de 37,5%, conforme dados da Agência Brasil.
O governo brasileiro reiterou que seguirá buscando um acordo equilibrado e mutuamente benéfico, pautado pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional. As próximas rodadas podem ocorrer de forma virtual ou presencial, com revisão do progresso em nível ministerial em data oportuna.
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