O varejo está entre os setores mais pressionados da economia, e quase 1.000 empresas pediram recuperação judicial apenas no segundo trimestre (alta de 20% na comparação anual). A pressão dos juros também é refletida na Bolsa, e 15 de 16 ações de varejistas caem em 2026, como mostra o levantamento da Comdinheiro/Nelogica.
O estudo analisou todas as ações negociadas na B3 classificadas em subsetores que levam na descrição os termos “Comércio” ou “Varejista”. Entre elas, apenas o Assaí (ASAI3) acumula valorização no ano, em alta de 10,81%.

Para Gustavo Gukovas, diretor de Operações na Comdinheiro/Nelogica, “ao olharmos para essa seleção de papéis, o Assaí aparece como uma ação mais defensiva dentro do setor. O modelo de atacarejo tende a ser menos impactado em um ambiente macroeconômico mais desafiador, no qual o consumidor busca preços mais baixos e maior racionalidade nas compras”.
Varejo sob pressão dos juros
O crédito caro e o endividamento das famílias reduzem o consumo e adiam compras, sobretudo as de maior valor. O cenário ajuda a explicar as dificuldades de grandes varejistas, como a Casas Bahia, que entrou em recuperação judicial em agosto, além da Marabraz, que não tem ações negociadas na Bolsa brasileira.
A Casas Bahia (BHIA3), inclusive, acumula a maior queda do setor no ano (-86,98%) até 20 de agosto, seguida pelo Magazine Luiza (-56,19%). Para Gukovas, MGLU3 foi uma das ações mais penalizadas no ano devido ao seu nível elevado de endividamento.
Seis empresas têm retorno positivo em horizonte ampliado
O retrato muda um pouco quando o horizonte é ampliado. Considerando o desempenho desse mesmo conjunto de ações desde 28 de junho de 2024, período que antecede o início do último ciclo de aperto monetário (iniciado em 10/09/2024), seis papéis acumulam valorização: Pague Menos (PGMN3), Riachuelo (RIAA3), Dimed (PNVL3), Blau (BLAU3), Petz Cobasi (AUAU3) e Lojas Renner (LREN3).

Três das seis empresas estão ligadas ao setor de saúde, que tende a continuar fazendo parte do orçamento mesmo em períodos de maior aperto financeiro. A Petz, por sua vez, se beneficia da fusão com a Cobasi.
“Já a presença de Riachuelo e Renner entre as poucas ações com desempenho positivo mostra que, mesmo em um ambiente de juros elevados, características específicas de cada empresa fazem diferença. As companhias apresentam fundamentos equilibrados, que ajudam a compensar um cenário mais difícil para o consumo”, diz Gukovas.











