A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu nesta quarta-feira (9) o Aviso Hidrometeorológico 16/2026, que coloca a metade Norte do estado em alerta para tempestades até sexta-feira (11). O movimento reacende as preocupações sobre o agronegócio na região.
A agropecuária, que responde por parcela relevante do PIB estadual, enfrenta endividamento elevado e inadimplência no crédito rural, como mostrou o Jornal do Comércio. As enchentes de maio de 2024 já haviam causado prejuízos superiores a R$ 3 bilhões no agronegócio gaúcho, com cerca de 206 mil propriedades afetadas, segundo levantamento da Emater/RS-Ascar.
Com o trigo em fase de colheita justamente em setembro, o granizo e a chuva intensa são a principal ameaça imediata à cultura de inverno. O mau tempo pode atrasar o plantio da safra de verão (soja e milho) e pressionar a inflação de alimentos, principalmente em itens como arroz e hortifrútis.
Segundo o alerta da Defesa Civil, está prevista chuva pontualmente forte a intensa, com acumulados que podem superar 150 milímetros, rajadas de vento acima de 90 km/h e queda de granizo de grande porte, elevando o risco de alagamentos e cheias de arroios e pequenos rios.
O pico de severidade está previsto para a madrugada e manhã de sexta-feira (11), segundo o Agrolink. O alerta também aponta risco de elevação significativa do rio Uruguai a partir de Iraí, devido às chuvas volumosas previstas para Santa Catarina.
A condição coincide com o alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para tempestades no Sul e Centro-Oeste nesta quinta-feira (10), com chuvas acima de 100 mm/dia e ventos superiores a 100 km/h.
Brasil reforça prevenção para evitar impactos no Rio Grande do Sul
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os boletins oficiais e evite áreas de risco. O aviso pode ser atualizado ou cancelado conforme a evolução do sistema meteorológico. A formação de um novo ciclone extratropical entre o RS e Santa Catarina está prevista para esta sexta-feira, ampliando a janela de instabilidade.
Como o Monitor do Mercado mostrou em agosto, o Brasil tem reforçado a prevenção contra o El Niño, diante da possibilidade de um fenômeno muito forte no segundo semestre, o que eleva ainda mais a atenção para a resiliência do agronegócio gaúcho.
Pesquisadores da UFSM ligados ao Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática defendem práticas como conservação do solo, plantas de cobertura e plantio direto para reduzir perdas em eventos extremos.
Segundo o comitê, eventos concentrados reduzem produtividade e acumulam dívidas, tornando o crédito rural mais caro e escasso. A universidade também alerta para a perspectiva de El Niño no segundo semestre, o que pode prolongar o excesso de umidade no solo e favorecer doenças nas lavouras.
O mercado seguirá monitorando os boletins da Defesa Civil e do INMET, bem como os primeiros levantamentos de danos após a passagem das tempestades, para dimensionar o impacto efetivo sobre a safra e os preços.











