Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira (10), em meio à pressão do petróleo, que permanece acima de US$ 100 por barril, e à alta dos rendimentos dos Treasuries e de outros títulos soberanos. O foco dos investidores também se volta para a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, dado que pode oferecer novas pistas sobre o comportamento da inflação e influenciar as próximas decisões do Federal Reserve (Fed).
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Nesse contexto, as preocupações com os efeitos inflacionários da alta do petróleo devem continuar no centro das atenções. Ao mesmo tempo em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que a guerra com o Irã deve terminar somente após as eleições de meio de mandato, em novembro, as tensões na região seguem aumentando. Segundo a Reuters, os houthis estão mais próximos de ampliar o controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb.
A escalada também elevou o alerta no mercado de energia após uma sequência de ataques contra petroleiros nas proximidades do Estreito de Ormuz. Paralelamente, imagens de satélite identificaram aumento da atividade de construção em Pickaxe Mountain, suposto sítio nuclear iraniano localizado a cerca de dois quilômetros da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, que já sofreu danos expressivos e é considerada um dos últimos vestígios do programa nuclear de Teerã.
Diante desse cenário, Trump fez um novo alerta ao Irã durante a convenção de meio de mandato do Partido Republicano. O presidente americano afirmou ter identificado “uma certa atividade em Pickaxe” e advertiu Teerã a não “bancar o espertinho”, acrescentando que os Estados Unidos teriam de atingir o país “com muita força”.
Ainda no mercado de energia, dados divulgados há pouco pela Opep mostram que a produção de petróleo recuou em agosto diante de novas interrupções nas exportações sauditas relacionadas à guerra no Irã e do bloqueio americano, que reduziu os embarques iranianos, segundo a Reuters.
A produção de petróleo bruto dos 11 membros da Opep, excluindo os Emirados Árabes Unidos, caiu 640 mil barris por dia na comparação com julho, para 19,71 milhões de barris por dia. Sete integrantes do grupo haviam acertado um aumento da produção em agosto, mas a escalada do conflito no Oriente Médio impediu a implementação do plano.
No Brasil, o destaque fica para os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o setor de serviços, que permanece estagnado pelo segundo mês consecutivo. O volume de serviços ficou estável em julho ante junho, quando registrou variação de 0,1%.
Embora quatro das cinco atividades pesquisadas tenham apresentado crescimento no mês, o avanço não foi suficiente para elevar o resultado geral. A queda de 2,5% em informação e comunicação, segmento de peso relevante no índice, mais do que compensou o desempenho positivo dos demais ramos.
Apesar da ausência de crescimento em julho, o setor permanece próximo do recorde da série histórica, com o volume de serviços está apenas 0,2% abaixo do pico registrado em outubro do ano passado. No acumulado do ano, o setor registra alta de 1,9%, sustentada principalmente por informação e comunicação, que avançou 6,5%. O desempenho foi impulsionado por atividades como telecomunicações, consultoria em tecnologia da informação, hospedagem na internet e desenvolvimento de softwares.
Manchetes desta manhã
- Correios buscam novo empréstimo de R$ 7 bi (Valor)
- Entidades pedem que OCDE cobre do STF julgamento sobre provas da Odebrecht anuladas por Toffoli (Folha)
- Petrobras volta atrás e cancela reajuste da gasolina horas após anúncio (Estadão)
- Custo de subsídios a combustíveis já chega a R$ 37,5 bilhões (O Globo)
Mercado global segue sob pressão do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam mistos nesta quinta-feira (10), enquanto investidores aguardam o PPI de agosto, indicador que pode trazer pistas sobre a trajetória da inflação e os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
No radar corporativo, os resultados da Oracle, previstos após o fechamento do mercado, devem oferecer novos sinais sobre a demanda por inteligência artificial e o ritmo dos investimentos no setor.
As bolsas europeias abriram sem direção única, com viés negativo antes da decisão de política monetária do BCE. A alta do petróleo e do gás natural, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, mantém os investidores em alerta, enquanto a expectativa de aumento dos juros e os comentários de Christine Lagarde sobre os impactos das commodities na inflação ficam no radar.
No campo corporativo, as ações da Associated British Foods recuam 10,88% após a companhia projetar queda de 3% nas vendas comparáveis da Primark no 4º trimestre fiscal, que se encerra em 12 de setembro.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pelo petróleo acima de US$ 100 o barril e pela alta dos rendimentos dos Treasuries e de outros títulos globais, antes dos dados de inflação dos EUA.
Na contramão, o Nikkei avançou 0,20%, após recuar quase 1% no início do pregão, com investidores avaliando a possibilidade de alta de juros pelo BoJ ainda este mês.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,07%
- FTSE 100: -0,36%
- CAC 40: +0,15%
- Nikkei 225: +0,20%
- Shanghai SE Comp: -0,43%
- Hang Seng: -1,27%
- Ouro (jun): -1,66%, a US$ por 4.386,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,29%, aos 99,08 pontos
- Bitcoin: -3,30% a US$ 76.976,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo seguem em alta nesta quinta-feira, com o Brent acima de US$ 102 por barril, diante do agravamento das tensões no Oriente Médio, com os mercados avaliando o risco de novas interrupções no fornecimento após ataques a navios na região.
O Irã afirmou ter atingido dez embarcações próximas ao Estreito de Ormuz na quarta-feira, após os EUA afundarem cinco petroleiros iranianos. O fluxo de petróleo pela rota permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.
Há pouco, o Brent atingiu US$ 105,27 o barril, em alta de 4,01%, enquanto o WTI sobe 4,01%, a US$ 99,90. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,95% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,8/ton.
Cenário internacional: PPI dos EUA e petróleo pressionam inflação global
Nos Estados Unidos, o mercado concentra as atenções no índice de preços ao produtor (PPI) de agosto, que será divulgado às 9h30 (horário de Brasília). O dado ganha relevância porque seus componentes ajudam a antecipar a composição do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed) e uma das referências mais importantes para a decisão sobre os juros em setembro.
A expectativa do mercado é de alta de 0,4% no PPI cheio em agosto ante julho e de 5,3% em 12 meses. Para o núcleo, que exclui componentes mais voláteis, a projeção é de avanço de 0,3% na comparação mensal e de 4,6% na anual. Em julho, as taxas haviam sido de 0,2% e 4,2%, respectivamente.
Na Europa, os efeitos da disparada do petróleo já começam a aparecer com maior intensidade nos indicadores de inflação. Na Alemanha, a taxa anual acelerou para 2,9% em agosto, ante 2,8% em julho, confirmando a estimativa preliminar e atingindo o maior nível desde abril.
A pressão veio principalmente da energia, cuja inflação saltou de 8,3% para 10,5% no período, em meio ao impacto das novas tensões no Oriente Médio sobre os preços do petróleo. Foi a maior alta dos preços de energia em mais de três anos. Os combustíveis para veículos dispararam 27,7%, contra 23,0% em julho, enquanto o óleo para aquecimento avançou 49,6%.
Brasil: governo reduz tributos para conter alta dos combustíveis
No Brasil, o governo reagiu à nova escalada do petróleo com um pacote de medidas para conter o repasse da alta internacional aos combustíveis, em uma iniciativa que pode aliviar a pressão sobre a inflação e ocorre a menos de um mês da eleição. Entre as medidas, o presidente reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro, zerou a tributação federal do etanol, com redução de R$ 0,19, e autorizou uma nova subvenção de R$ 1 por litro para o diesel.
Com a desoneração, a Petrobras anunciou durante a madrugada que reduziria, a partir desta quinta-feira, o preço da gasolina em R$ 0,19 por litro, para R$ 3,05 por litro.
A mudança ocorreu após uma reviravolta na comunicação da estatal. Horas antes, a Petrobras havia informado que elevaria o preço da gasolina em R$ 0,19 por litro. Na madrugada desta quinta-feira, porém, divulgou uma nova nota esclarecendo que não haveria reajuste e que, na realidade, seria aplicado um desconto de R$ 0,19 por litro às distribuidoras.
No cenário político, uma nova pesquisa PoderData/Aya mostra Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual disputa de segundo turno. Na simulação de primeiro turno, Lula aparece com 38%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%.
Enquanto isso, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes cancelou o pronunciamento que faria nesta manhã no plenário da Primeira Turma. A decisão ocorreu após Edson Fachin retirá-lo, na noite de ontem, da relatoria do inquérito das fake news.
Destaques do mercado corporativo
- Light S.A. (Light): o Juízo da 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro proferiu sentença decretando o encerramento da recuperação judicial da companhia.
- Vale: negou ter decidido sobre eventual emissão de dívida e afirmou que avalia alternativas de financiamento dentro da gestão financeira habitual.
- Natura: fará em 14/9 o resgate antecipado das debêntures CDI da 12ª emissão, com pagamento de prêmio de 0,35% ao ano.
- BRB: Fux deu 15 dias para governo, BC e FGC se manifestarem sobre pedido do DF por garantias ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões. Ação popular também pede cobertura do FGC para cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais.
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