O Citi rebaixou a recomendação para as ações da BB Seguridade (BBSE3) de neutra para venda e reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 35 por ação. A mudança ocorre diante da avaliação de que os riscos relacionados à renovação dos principais contratos da companhia superam o potencial de valorização dos papéis.
Segundo os analistas Gustavo Schroden, Arnon Shirazi e Brian Flores, o mercado estaria subestimando a possibilidade de que futuras renovações envolvam concessões econômicas relevantes ao Banco do Brasil (BBAS3).
Na avaliação do Citi, condições menos favoráveis nos contratos podem reduzir a parcela dos resultados econômicos que permanece com a BB Seguridade.
Renovação dos contratos concentra risco
Os principais contratos de distribuição permitem à BB Seguridade utilizar a rede do Banco do Brasil, que é parte central do modelo de negócios da companhia. No cenário-base, o Citi considera que esses acordos serão renovados, mas em condições econômicas menos favoráveis do que as atuais.
Para refletir esse risco na avaliação, o banco aplicou um desconto de 60% sobre o valor da perpetuidade da BB Corretora e de 10% sobre Brasilseg e Brasilprev.
A perpetuidade representa a estimativa de geração de caixa de um negócio após o período explícito de projeções. Já o modelo de desconto de dividendos estima o valor de uma empresa a partir do valor presente dos dividendos que ela pode distribuir no futuro. Com esses ajustes, o Citi chegou ao preço-alvo de R$ 35 por ação.
Cenários projetados para BB Seguridade
O banco também avaliou diferentes possibilidades para as renovações dos contratos. No cenário positivo, o Citi considera que todos os acordos-chave sejam renovados nas condições atuais, sem pagamentos antecipados e sem mudanças na economia do acesso da BB Seguridade à rede do Banco do Brasil.
Nesse caso, os valores da BB Corretora, Brasilseg e Brasilprev seriam preservados integralmente. A avaliação chegaria a R$ 45 por ação, cerca de 29% acima do preço-alvo do cenário-base e aproximadamente 6% acima da cotação considerada pelo banco. Apesar disso, o Citi considera esse desfecho pouco provável.
No cenário negativo, a instituição considera que nenhum dos contratos seja renovado. Nesse caso, a BB Seguridade passaria por uma redução gradual das operações após o vencimento dos acordos atuais.
O valor da companhia seria determinado pelos fluxos de caixa gerados até o vencimento dos contratos, com uma redução gradual das carteiras de Brasilseg, Brasilprev e BB Corretora e, posteriormente, pela liquidação da holding e dos ativos remanescentes.
Nesse cenário, o Citi estima R$ 19 por ação, 45% abaixo do preço-alvo do cenário-base e cerca de 55% abaixo da cotação atual.
BBSE3 negocia acima da média histórica
Além da questão contratual, o Citi aponta o nível de valuation da BB Seguridade, que, segundo o banco, é negociada a 9,5 vezes o lucro projetado para 2027, acima da média histórica de 8,2 vezes desde 2024.
O Citi também afirma que a ação ganhou tração desde meados de agosto, acumulando retorno na casa de dois dígitos médios desde então. O movimento levou o papel a ser negociado acima do múltiplo de 7,9 vezes utilizado pelo banco para chegar ao preço-alvo.
Citi compara BB Seguridade com Caixa Seguridade
Na visão do Citi, existem diferenças entre a situação da BB Seguridade e da Caixa Seguridade (CXSE3). Segundo o banco, não há um debate semelhante sobre a renovação de contratos na Caixa Seguridade, apesar de as duas companhias possuírem estruturas de holding comparáveis.
A diferença estaria nas características dos contratos com os parceiros e na duração dos acordos. No caso da Caixa Seguridade, os contratos-chave, em geral, se estenderiam para perto de 2050.
O Citi também considera, em um dos cenários analisados, a possibilidade de um pagamento antecipado da BB Seguridade ao Banco do Brasil em junho de 2027.
Na avaliação do banco, uma operação desse tipo poderia reforçar o capital do Banco do Brasil em um momento em que essa questão permanece entre as considerações para a instituição.
O Citi afirma não identificar o mesmo incentivo na Caixa Econômica Federal, cujo índice CET1 (medida utilizada para avaliar a capacidade de um banco absorver perdas) era de 13,4% em junho de 2026.











