A equipe de análise do BTG Pactual manteve a recomendação de compra para as ações da Motiva (MOTV3) e identificou cerca de R$ 3,8 bilhões em valor presente líquido (VPL) potencial a partir de novos aditivos contratuais nas concessões da companhia.
Segundo o relatório publicado nesta quinta-feira (10), o valor corresponde a aproximadamente R$ 1,90 por ação e representa um potencial de 10% sobre a avaliação atual do banco. O BTG não incorporou ao preço-alvo nenhum aditivo que ainda não tenha sido formalmente assinado.
O banco mantém preço-alvo de R$ 20 para MOTV3, contra cotação de R$ 16,40 considerada no relatório. A tese da equipe está concentrada na capacidade da Motiva de ampliar investimentos em ativos já existentes e estender a duração de seu portfólio.
Para o banco, a Motiva passou por uma transformação na estrutura de seu portfólio nos últimos anos, com saída de ativos considerados não estratégicos e concentração em concessões remanescentes. A equipe afirma que a companhia aumentou a geração de caixa e ampliou a flexibilidade financeira para realizar novos investimentos.
Aditivos são foco da tese da Motiva
Para o BTG, os aditivos contratuais representam atualmente uma das principais alavancas de valor da Motiva. O banco identificou um pipeline brownfield (que parte de uma estrutura que já está em operação) de mais de R$ 20 bilhões em potenciais investimentos relacionados a esses contratos.
Enquanto isso, o mercado está cada vez mais escasso de oportunidades greenfield, aquelas que envolvem a criação de um ativo novo. Na visão do banco, as oportunidades brownfield permitem que a companhia utilize dados existentes de demanda, tráfego, custos e operação para avaliar os investimentos.
Entre as oportunidades analisadas estão a SPVias, com cerca de R$ 3,3 bilhões em investimentos estimados; a AutoBAn, com R$ 3 bilhões; a ViaCosteira/Morro dos Cavalos, também com R$ 3 bilhões; e as Linhas 5 e 17, com aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
AutoBAn tem maior impacto individual na Motiva
Na AutoBAn, o BTG estima aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos, direcionados a melhorias de capacidade e acessos no sistema Anhanguera-Bandeirantes. O pacote pode incluir duplicações, novos acessos e intervenções em interseções e trevos. A concessão atual termina em 2037, e o banco estima uma extensão de aproximadamente três anos.
Entre as quatro oportunidades analisadas, a AutoBAn apresenta o maior impacto individual estimado sobre a ação, de R$ 0,95 por MOTV3. A equipe destaca que a concessão possui uma base de ativos já estabelecida e demanda conhecida, enquanto parte dos projetos apresenta menor complexidade de engenharia.
Na SPVias, o BTG também trabalha com aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos para expansão da capacidade da concessão, principalmente com duplicações de trechos nas regiões de Itararé, Capão Bonito e Avaré.
A equipe considera uma extensão de aproximadamente seis anos no prazo da concessão, que atualmente termina em 2030. O potencial impacto estimado pelo banco é de R$ 0,40 por ação. A análise considera que as obras seriam realizadas em etapas ao longo do período da concessão.
Na ViaCosteira, o principal projeto considerado pelo BTG é a construção de um túnel no Morro dos Cavalos, na BR-101, em Santa Catarina.
O projeto envolveria a transferência de um trecho para a concessão, além da implantação de uma nova praça de pedágio. O banco estima aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos. A projeção considera um impacto de R$ 0,22 por ação. Segundo o BTG, esse é o único dos quatro aditivos analisados submetido ao arcabouço regulatório federal.
Metrô em São Paulo tem projeto de maior prazo
Nas Linhas 5-Lilás e 17-Ouro do metrô em São Paulo, a equipe do BTG considera aproximadamente R$ 3,5 bilhões em investimentos. A principal possibilidade seria uma extensão de cerca de 2,5 a 3 quilômetros da Linha 5-Lilás.
O reequilíbrio econômico-financeiro poderia envolver aumento no fluxo de passageiros, premissas tarifárias e extensão do prazo da concessão. O impacto estimado é de R$ 0,30 por ação, mas o BTG ressalta que essa oportunidade ainda está em estágio mais preliminar. O escopo do projeto, a participação da Linha 17 e a estrutura final do reequilíbrio ainda precisam ser definidos.
Reequilíbrios também entram no radar
Além dos aditivos, o BTG acompanha reivindicações de reequilíbrio econômico-financeiro da Motiva. A equipe estima entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões a receber relacionados à questão dos eixos suspensos em São Paulo, com cerca de 70% desse montante associado à AutoBAn e 30% à SPVias.
A Motiva também possui reivindicações relacionadas à Covid-19, com aproximadamente R$ 1,3 bilhão em VPL, dos quais cerca de R$ 1 bilhão ainda estariam pendentes de recebimento. Há ainda valores relacionados às chuvas de 2024 na ViaSul, à guerra entre Rússia e Ucrânia e a melhorias de segurança no RodoAnel.
No segmento ferroviário, o BTG cita entre R$ 1 bilhão e R$ 1,1 bilhão em reivindicações já bem-sucedidas no Metrô Bahia, com possibilidade de reconhecimento em 2026, além de aproximadamente R$ 1,5 bilhão ainda em discussão.











