Com mais de 6,3 mil empresas brasileiras entrando em recuperação judicial no primeiro semestre, de acordo com o Monitor RGF-BizDoc, Rafael Mendes, CRO da LEME Inteligência Forense, avalia que a identificação de sinais de deterioração financeira antes da abertura do processo pode ajudar credores e empresas a tomar decisões com antecedência.
Segundo Mendes, alterações na estrutura societária, aumento no número de ações judiciais, mudanças patrimoniais e relações entre empresas podem aparecer antes de uma crise chegar ao Judiciário.
“A informação, por si só, não reduz riscos. O que faz diferença é transformar milhares de registros dispersos em inteligência para orientar decisões e identificar padrões que dificilmente seriam percebidos em análises isoladas.”
Sinais podem aparecer antes da recuperação judicial
Na avaliação de Mendes, a análise de uma empresa não deve se limitar a uma única fonte de informação. Dados societários mostram, por exemplo, a composição e as relações entre empresas e sócios. Informações patrimoniais permitem acompanhar mudanças nos bens e ativos. Já os registros processuais ajudam a identificar o aumento de disputas judiciais.
A combinação desses dados pode fornecer um panorama sobre a situação de uma companhia antes que um pedido de recuperação judicial seja apresentado.
“Nenhuma base de dados, sozinha, conta a história completa de uma empresa. O valor da tecnologia está justamente em conectar informações que parecem isoladas e revelar relações que ajudam a entender riscos, oportunidades e o contexto de cada operação”, afirma Mendes.
O executivo destaca que esse tipo de análise pode ser utilizado antes de decisões como concessão de crédito, fechamento de parcerias ou início de negociações. “Quanto mais cedo essas informações entram no processo, maior é a capacidade de evitar perdas e reduzir incertezas”, diz.
Ferramentas cruzam informações de empresas
De acordo com Mendes, o Mapa de Relacionamentos (ferramenta de inteligência corporativa da companhia) registrou mais de 436 mil consultas, realizadas por mais de 6 mil usuários ativos em 24 estados brasileiros.
O módulo permite visualizar relações entre pessoas, empresas e grupos econômicos. Segundo a companhia, a ferramenta é utilizada em análises de crédito, investigações corporativas, recuperação de ativos e processos de due diligence.
“Inteligência de dados não serve apenas para encontrar informações. Ela ajuda a revelar oportunidades que podem mudar completamente o desfecho de uma negociação ou de uma estratégia jurídica […] Antes de conceder crédito, fechar uma parceria ou iniciar uma negociação, as empresas precisam entender o contexto completo de quem está do outro lado”, afirma.











