O Federal Reserve (Fed) decidiu aumentar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.), para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, na tarde desta “superquarta” (16).
A decisão unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) marca a primeira alta da taxa desde julho de 2023 e acontece após cinco reuniões seguidas de manutenção, todas realizadas em 2026.
Segundo o comunicado, a economia norte-americana segue crescendo em ritmo sólido, mesmo com as incertezas no cenário internacional. O consumo das famílias continua forte, assim como os investimentos das empresas.
O Fed também afirmou que a criação de empregos segue acompanhando o crescimento da força de trabalho e que a taxa de desemprego permanece estável.
Em relação à inflação, o FOMC afirmou que os preços continuam elevados, mas avaliou que a decisão ajuda a aproximar a inflação da meta de 2% ao ano.
O que dizem os especialistas?
Antes mesmo da decisão, especialistas ouvidos pelo Monitor do Mercado já argumentavam sobre a alta. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, disse que a combinação entre os dados de inflação e o desempenho dos serviços reduzia o espaço para uma postura de espera.
Já Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, citou o payroll de agosto, o PPI e o CPI como sinais de persistência da inflação. No entanto, indicou que o principal contraponto do aperto estava no mercado de trabalho, diante da desaceleração dos salários e do ritmo menor de criação de vagas.
Para Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), principalmente nos vencimentos intermediários e longos, já se mostrava um reflexo das mudanças nas expectativas para a política monetária.
Mercado já precificava alta dos juros
Na abertura do mercado, às 11h45 (horário de Brasília), o monitoramento FedWatch, do CME Group, apontava 92,7% de probabilidade de o Fed aumentar os juros dos EUA nesta reunião (imagem abaixo).

Para a próxima reunião, que acontecerá em 28 de outubro, as apostas estão divididas. A maioria dos entrevistados (54,9%) espera manutenção entre 3,75% e 4% ao ano, enquanto 41,1% veem a possibilidade de outro aumento de 0,25 p.p.
De acordo com o gráfico de pontos do Fed, divulgado junto com o comunicado após a decisão, 16 membros projetam, pelo menos, um novo aumento nos juros ainda este ano. Destes, quatro esperam duas altas em 2026.











