A maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) considera provável uma nova alta dos juros dos Estados Unidos ainda em 2026, segundo a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), divulgada nesta quarta-feira (7).
A decisão foi justificada pela combinação de inflação ainda elevada, atividade econômica em ritmo sólido e mercado de trabalho próximo do pleno emprego. Ao mesmo tempo, a avaliação foi de que os riscos para o mercado de trabalho haviam diminuído e estavam mais equilibrados.
Para Leandro Padulla, economista do ASA, a ata da reunião de setembro confirma uma mudança para uma postura mais restritiva do Fed. Segundo Padulla, todos os participantes apoiaram a alta de 0,25 ponto percentual dos juros na reunião, enquanto a maioria avaliou que, ao menos, mais uma elevação provavelmente será adequada até o fim do ano.
O documento, porém, não sinalizou quando nem quantos aumentos poderão ocorrer, deixando as próximas decisões condicionadas aos dados econômicos.
Para Padulla, a ata trouxe, diferentemente das reuniões anteriores, alguma sinalização sobre os próximos passos da política monetária, mas sem definir a magnitude ou o momento de um eventual aperto adicional.
Inflação continua acima da meta
Segundo a avaliação do banco central norte-americano, a inflação medida pelo Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) chegou a 3,8% em agosto, enquanto o núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis, ficou em 3,4% — ambos acima dos níveis registrados um ano antes.
Entre os fatores citados para a pressão sobre os preços estão os efeitos de tarifas, custos mais elevados de energia e insumos relacionados a tensões geopolíticas e o aumento dos preços de produtos tecnológicos associado aos investimentos em inteligência artificial (IA).
Economia continua crescendo
Apesar dos juros dos EUA estarem elevados, os participantes avaliaram que a atividade econômica continua crescendo em ritmo sólido. O consumo das famílias permanece resiliente, enquanto os investimentos empresariais seguem impulsionados pela expansão da infraestrutura de IA.
O mercado de trabalho também foi considerado estável. A taxa de desemprego ficou em 4,1% em julho e agosto, enquanto a criação de empregos acelerou em agosto. Os dirigentes avaliaram que o mercado de trabalho está próximo do nível considerado compatível com o pleno emprego.
O Fed projetou ainda que o crescimento do PIB norte-americano deverá ganhar força no segundo semestre de 2026 e permanecer acima do potencial até 2028. A previsão foi mais positiva do que a apresentada na reunião de julho.
Investimentos em IA chamam atenção
A IA aparece diversas vezes na avaliação do Fed. O documento aponta que os investimentos relacionados à tecnologia estão sustentando parte do crescimento dos negócios, mas também podem contribuir para pressões inflacionárias caso a demanda cresça mais rapidamente que a capacidade de oferta da economia.
O mercado financeiro também refletiu esse movimento. Os preços das ações subiram no período analisado, especialmente entre empresas diretamente beneficiadas pelos investimentos em infraestrutura de IA. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano aumentaram, acompanhando a expectativa de juros mais altos e dados econômicos considerados sólidos.










