A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), caiu 0,22% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, informou o Banco Central nesta quarta-feira (16). Em junho, o indicador havia recuado 0,88%, após revisão do resultado anterior de -0,64%.
O resultado veio abaixo da mediana das projeções coletadas pela pesquisa Projeções Broadcast, que apontava queda de 0,10%. As estimativas do mercado variavam entre recuo de 0,40% e alta de 0,40%.
Na comparação com julho de 2025, o IBC-Br cresceu 1,14%, na série sem ajuste sazonal. O resultado ficou acima da mediana das projeções, de alta de 1,10%. As estimativas variavam entre crescimento de 0,80% e 2,10%. O índice que exclui a agropecuária avançou 0,99% em 12 meses, após alta de 2,22% em junho, revisada de 2,15%.
A agropecuária teve crescimento de 3,69% na mesma comparação, após alta de 5,08% em junho, revisada de 5,33%. Os serviços avançaram 1,26%, enquanto a indústria cresceu 0,47%. O índice de impostos aumentou 0,75% em julho ante o mesmo mês de 2025, após avanço de 2,73% em junho, revisado de 2,80%.
Indústria e agropecuária pressionam IBC-Br
Entre os componentes do índice, o indicador que exclui a agropecuária recuou 0,13% em julho, depois de queda de 1,05% em junho, também revisada, de -0,91%. A agropecuária apresentou queda de 1,15%, após avanço de 0,99% no mês anterior, revisado de 0,96%.
O índice de serviços ficou praticamente estável, com queda de 0,01%, após recuo de 0,49% em junho.
Na indústria, o indicador caiu 0,40%, depois de retração de 1,77% em junho, revisada de -1,35%. Já o índice de impostos, que corresponde de forma aproximada aos impostos líquidos sobre produtos utilizados no cálculo do PIB, recuou 0,16%, após queda de 1,14% no mês anterior, revisada de -1,04%.
Atividade perde força no 3º trimestre
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o resultado de julho refletiu principalmente os recuos da indústria e da agropecuária, enquanto os serviços apresentaram estabilidade.
Segundo Perez, o resultado reforça a percepção de que a economia brasileira iniciou o terceiro trimestre em ritmo mais fraco, com perda de força mais disseminada entre os setores. O economista relaciona esse movimento à política monetária restritiva, aos sinais de esgotamento dos estímulos fiscais e ao elevado endividamento das famílias.
Nesse cenário, a Suno Research projeta crescimento de 0,2% do PIB no terceiro trimestre e estabilidade no quarto trimestre. Para 2026, a estimativa da casa é de expansão de 1,9%.
Leonardo Costa, economista do ASA, também avalia que os dados confirmam um início de terceiro trimestre mais fraco. Para Costa, a perda de força da indústria, a acomodação dos serviços e a moderação da agropecuária reforçam um cenário de desaceleração gradual da atividade doméstica.
O economista afirma que, por enquanto, os dados são compatíveis com um PIB próximo da estabilidade no terceiro trimestre. A projeção do ASA é de crescimento de 0,2% na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal.











