A arrecadação da Alemanha com impostos sobre gasolina e diesel caiu de 37 bilhões de euros (R$ 218,7 bilhões) em 2016 para 33 bilhões de euros (R$ 195 bilhões) em 2025, segundo o Escritório Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis).
O recuo é explicado pelo avanço visível dos carros elétricos. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE), apresentados pela Deutsche Welle (DW), mostram que as vendas na Europa subiram quase 30% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entretanto, o assunto traz um alerta e abre uma discussão entre especialistas: se a eletrificação continuar sem mudanças no sistema de impostos, o sistema rodoviário pode se tornar deficitário. Jens Boysen-Hogrefe, especialista em impostos e transporte do Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW), afirmou que “o ministro das Finanças não ganha muito quando as pessoas dirigem carros elétricos — muito pelo contrário”.
Hoje, cada litro de diesel paga 47,04 centavos de euro em imposto, enquanto a gasolina tem uma cobrança de 65,45 centavos de euro por litro. Além disso, os combustíveis também sofrem cobrança de uma taxa de carbono e do imposto sobre valor agregado (IVA), equivalente ao ICMS em alguns aspectos, com alíquota de 19%.
Uma estimativa do clube de automóveis alemão Allgemeiner Deutscher Automobil-Club (ADAC) aponta que, em um litro de gasolina vendido por 2,10 euros, cerca de 1,14 euro corresponde a impostos. Já os carros elétricos não pagam esse imposto, apenas a tributação mínima sobre eletricidade.
Projeção vê receita de apenas 5 bilhões de euros em 2050
Em 2022, um relatório do comitê consultivo científico do Ministério dos Transportes da Alemanha projetou que a receita do imposto de energia pode despencar para até 5 bilhões de euros até 2050. “A transição para veículos elétricos tem implicações fiscais que até agora foram pouco discutidas”, diz o documento.
O buraco esperado se soma aos subsídios ainda necessários para incentivar a compra de elétricos. Os incentivos diretos à aquisição foram encerrados no fim de 2023, mas carros elétricos seguem isentos do imposto sobre veículos até 2035 e empresas que investem neles mantêm benefícios tributários.
Boysen-Hogrefe afirma que a pressão fiscal pode aumentar. “Se as pessoas continuarem comprando carros elétricos em massa, o governo não pode simplesmente ignorar”, disse. Segundo ele, o prazo para implementar novas medidas de arrecadação “abrange vários mandatos legislativos”.
Países criam novas taxas
Vários países já reagiram. No Reino Unido, uma taxa sobre carros elétricos entra em vigor em abril de 2028, cobrando 3 pence (cerca de 3,5 centavos de euro) por milha em veículos totalmente elétricos e 1,5 pence em híbridos plug-in. Desde 2024, Nova Zelândia e Islândia exigem verificação anual do hodômetro para calcular tarifas por quilometragem.
Já na Suíça, a cobrança por uso de estrada para elétricos começa em 2030. A Noruega, pioneira em elétricos, restringiu a isenção de IVA para esses veículos neste ano e criou taxas baseadas em peso e pedágios. No país, 95% dos carros novos de passeio são elétricos.
Na Alemanha, muitos especialistas defendem um pedágio para carros de passeio. Um estudo recente da Universidade de Münster recomenda um pedágio baseado em distância e tráfego. Se houver resistência política, a alternativa seria um sistema de vinheta, com taxa fixa por período. Em último caso, restaria elevar o imposto sobre veículos automotores.











