A prévia da inflação (IPCA-15) voltou a ganhar força em setembro, com uma alta de 0,70%, puxada principalmente pelo fim do Bônus de Itaipu, que elevou a energia elétrica em 7,42% no mês. Sozinho, o grupo Habitação registrou um avanço de 2,07%.
No mês, os alimentos permaneceram em alta e a inflação de serviços continuou pressionada. O movimento reverte o cenário de queda de 0,40% em agosto e eleva o acumulado em 12 meses de 4,24% para 4,47%, enquanto a inflação total de 2026 é de 3,82%.
O resultado também colocou em lados diferentes as leituras de economistas sobre o próximo passo do Banco Central. Leonardo Costa, do ASA, mantém a projeção de dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro. Já Júlio Barros, do banco Daycoval, trabalha com manutenção da taxa de juros em novembro.
Para a economista especialista em inflação da XP, Basiliki Litvac, o cenário reforça a percepção de que o Banco Central seguirá em um movimento cauteloso de redução da taxa de juros, com cortes no passo de 0,25 p.p. nas próximas reuniões, assim como diretores da instituição demonstraram preocupação com as pressões de curto prazo.
Alimentos voltam ao campo positivo
Outro movimento que chama atenção veio do grupo Alimentação e Bebidas, que passou de uma queda para uma alta de 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio avançou 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior.
Entre os produtos que mais subiram estão o tomate, com alta de 20,76%, o arroz, com 2,39%, e as carnes, com 1,30%. Na direção oposta, o feijão carioca caiu 6,33%, a cebola recuou 4,41% e o café moído teve baixa de 1,36%.
Na avaliação de Júlio Barros, o resultado reforça um movimento que já vinha sendo monitorado para o fim do ano. “Os preços dos alimentos, que já era esperado uma perda de tração com deterioração em função a leitura anterior, acabou vindo em terreno positivo, bem mais forte daquilo que se esperava.”
Segundo o economista do Daycoval, o dado pode representar o fim de uma sazonalidade mais favorável observada anteriormente. “Temos alertado há algum tempo justamente para os riscos de preços dos alimentos mais pressionados nesse último trimestre do ano.”
Na alimentação fora do domicílio, o avanço foi de 0,44%. A variação da refeição passou de 0,25% para 0,38%, enquanto o lanche desacelerou de 0,75% para 0,44%.
Serviços seguem como ponto de atenção no IPCA-15
Além dos itens mais voláteis, como energia e alimentos, os preços de serviços continuam no radar. Para Costa, a inflação subjacente de serviços continua pressionada.
Segundo Costa, a média móvel trimestral anualizada dessa inflação está em torno de 5,3%. Para o economista, o ritmo indica que o processo de desinflação dos chamados núcleos ainda não terminou.
Na direção oposta, Costa afirma que a inflação subjacente de bens continua mostrando desaceleração na margem.
Segundo Basiliki Litvac, o indicador surpreendeu, mas está relacionado a itens mais voláteis. Apesar disso, “é um cenário que já estava incorporado, inclusive pensando em termos de política monetária e Banco Central”.










