O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), subiu 0,3% em agosto ante julho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Departamento do Comércio.
Na comparação com agosto de 2025, o PCE avançou 3,4%. Os dois resultados ficaram abaixo das projeções de analistas consultados pela FactSet, que esperavam alta mensal de 0,4% e avanço anual de 3,7%.
O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia por serem componentes mais voláteis, avançou 0,2% em agosto ante julho. Na comparação anual, o núcleo subiu 3%. A expectativa dos analistas era de alta de 0,3% no mês e de 3,3% em 12 meses.
Segundo a Capital Economics, as revisões dos dados de junho e julho levaram a taxa anualizada do núcleo nos três meses encerrados em agosto a 2%. Apesar da melhora na leitura da inflação, a taxa anual permanece acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, “o resultado ajuda a aliviar parte da pressão que vinha sendo observada sobre os yields dos Treasuries e sobre as expectativas de uma sequência mais intensa de altas de juros nos Estados Unidos”.
PIB dos EUA cresce 2,2% no segundo trimestre
Enquanto a inflação veio abaixo das projeções, os dados de atividade econômica mostraram crescimento acima da expectativa. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no segundo trimestre de 2026, segundo a terceira e última estimativa do Departamento de Comércio.
A leitura anterior apontava expansão de 1,5%, mesma taxa projetada pelos analistas consultados pela FactSet. No primeiro trimestre, o PIB teve crescimento revisado de 2,1% para 2,5%, também em termos anualizados.
A Capital Economics destacou ainda que as vendas finais a compradores privados domésticos cresceram 4,6% no segundo trimestre, maior ritmo desde o início de 2023. Em agosto, o consumo real avançou 0,6% ante julho.
Mercado amplia aposta em juros estáveis em outubro após PCE
A combinação de inflação abaixo do esperado e atividade econômica mais forte alterou as apostas do mercado para a próxima decisão do Fed. Por volta das 11h30 (de Brasília), a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 65,1% de probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% em outubro.
Antes da divulgação dos indicadores, a probabilidade era de 55,2%. Na noite anterior, estava em 49,1%. A chance de uma alta de 25 pontos-base, equivalente a 0,25 ponto porcentual, caiu de 44,8% para 34,9%. Na véspera, estava em 50,9%.
Para dezembro, a probabilidade de pelo menos uma alta de juros recuou de 89,6% para 87,7%. A chance de a taxa chegar à faixa de 4% a 4,25%, o que representaria uma alta de 25 pontos-base, estava em 59,4%. Já 28,3% das apostas indicavam uma taxa entre 4,25% e 4,50%.
A probabilidade de manutenção dos juros até dezembro subiu de 10,4% para 12,3%. A chance de corte permaneceu em zero.
Renda e consumo ficam abaixo das projeções
Os dados de renda e consumo também fizeram parte da leitura do mercado sobre a trajetória da inflação. Os gastos com consumo avançaram 0,9% em agosto, em linha com as expectativas.
A renda pessoal, por sua vez, cresceu 0,2%, abaixo da projeção de 0,5%. A taxa de poupança caiu para 4,1%. Segundo a Capital Economics, porém, o indicador ficou mais de 1 ponto porcentual acima da estimativa anterior para julho, indicando uma margem maior para as famílias absorverem eventuais choques de renda.










