A defasagem do preço do diesel vendido nas refinarias da Petrobras voltou a crescer e alcançou 111% no fechamento desta terça-feira (29) em relação ao preço de paridade de importação (PPI), segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), publicados no Broadcast.
Em termos nominais, a distância entre o preço praticado pela Petrobras e a referência internacional, com o Brent negociado a cerca de US$ 103 por barril, chegou a R$ 3,63 por litro, segundo a entidade.
Subsídio reduz impacto da defasagem
A Petrobras aderiu ao programa de subvenção econômica ao diesel criado pelo governo. O mecanismo prevê um ressarcimento à empresa para reduzir o impacto da diferença entre os preços domésticos e internacionais. Segundo os dados da Abicom, a subvenção representa R$ 2,12 por litro. O valor, porém, fica abaixo da defasagem calculada pela entidade.
A Petrobras informou que recebeu na última sexta-feira (25) R$ 2,3 bilhões referentes à subvenção econômica à comercialização de diesel no período de 16 a 31 de julho. Com esse pagamento, o total recebido pela companhia nos programas de subvenção ao diesel, gasolina e GLP chegou a R$ 12,2 bilhões.
Em setembro, a estatal também passou a operar com um novo programa de subvenção, que prevê R$ 1 por litro de diesel A rodoviário durante 30 dias. A medida foi estabelecida pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 2.813, vinculada à Medida Provisória nº 1.391/2026.
Petróleo e diesel pressionam preços internacionais
A defasagem aumentou em meio à alta das cotações internacionais do petróleo e do diesel. No mercado externo, o chamado crack spread — diferença entre o preço do petróleo utilizado como matéria-prima e o preço do combustível refinado — avançou com a restrição da oferta de diesel após interrupções na produção e no refino no Oriente Médio e pelo banimento das exportações de diesel da Rússia.
O cenário também mantém no radar a possibilidade de restrições às exportações de diesel pelos Estados Unidos. Caso isso ocorra, o Brasil poderia precisar ampliar a busca pelo combustível em outros mercados, como a Índia.
Gasolina também tem defasagem
A gasolina vendida nas refinarias da Petrobras apresentava defasagem de 28% em relação ao PPI, segundo a Abicom. Pelos cálculos da entidade, a diferença corresponde a R$ 0,85 por litro.
Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, a defasagem da gasolina era de 2%, enquanto a do diesel chegava a 48%. A refinaria é controlada pela Acelen, empresa do grupo Mubadala. Segundo a Abicom, a companhia reduziu o preço do diesel em R$ 1,51 por litro na semana anterior, alterando a diferença entre o preço doméstico e a referência internacional.










