Os mercados globais iniciaram a sessão desta quarta-feira (30) sem direção única, em meio à cautela dos investidores antes da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed). O indicador ganha ainda mais importância diante das preocupações com a trajetória dos preços e com os juros nos Estados Unidos.
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No campo diplomático, as negociações entre Washington e Teerã seguem sem avanço significativo. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã precisa mudar seu comportamento para viabilizar um acordo, enquanto Teerã diz já ter apresentado suas condições aos Estados Unidos.
O Irã informou nesta quarta-feira que recebeu uma resposta de Washington à sua proposta mais recente para restabelecer o cessar-fogo no Golfo. O plano prevê a reabertura do Estreito de Ormuz em até sete dias, embora Trump tenha afirmado anteriormente que havia rejeitado a oferta. Segundo uma autoridade não iraniana informada sobre as negociações, ouvida pela Reuters, a principal divergência entre os dois lados está na ordem em que as medidas seriam implementadas.
Em uma publicação no X, um porta-voz do governo iraniano afirmou que o chanceler Abbas Araghchi recebeu a resposta americana e a transmitiu ao governo em Teerã. A expectativa é que o ministro discuta o conteúdo da resposta na capital iraniana nesta quarta-feira.
Segundo o Irã, a proposta pretende recuperar um acordo provisório firmado em junho entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mas que entrou em colapso semanas depois. As duas partes estariam amplamente de acordo sobre quais medidas precisam ser adotadas, mas continuam divergindo sobre a sequência para sua implementação.
No mercado de petróleo, os contratos futuros voltaram a subir após a forte queda da véspera, enquanto permanecem as incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. A tensão geopolítica continua pressionando o mercado de energia, embora o aumento das exportações da região tenha ajudado a amenizar parte dos riscos de oferta, após a Arábia Saudita redirecionar os embarques para compensar a paralisação do oleoduto Leste-Oeste no início do mês.
Segundo a Kpler, os fluxos da região já alcançaram, em setembro, 80% dos níveis registrados antes da guerra. Para a Capital Economics, caso os embarques pelas duas rotas sejam mantidos, as exportações sauditas podem superar os níveis anteriores ao ataque ao oleoduto. Apesar disso, a oferta de derivados continua restrita e os custos elevados de frete mantêm a pressão sobre o mercado de energia. A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que seus países-membros poderão discutir novas liberações de reservas estratégicas caso seja necessário.
Brasil: Dívida pública avança
No Brasil, a atenção se volta para a trajetória da dívida pública. A dívida bruta do governo geral avançou pelo oitavo mês consecutivo em agosto, passando de 82,6% para 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 12,6 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central. É o maior nível em relação ao PIB desde março de 2021, quando o indicador chegou a 85,1%, ainda sob os efeitos da pandemia de Covid-19.
A elevação do endividamento está relacionada ao déficit público e ao pagamento de juros necessários para financiar esse resultado. O cálculo da dívida bruta inclui o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais.
Durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida bruta acumulou alta de 11,2 pontos percentuais do PIB. O recorde, contudo, foi registrado em outubro de 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, quando a dívida alcançou 87,7% do PIB em meio às medidas emergenciais adotadas para enfrentar os impactos da pandemia de Covid-19..
Manchetes desta manhã
- Dívidas da classe média somam mais de 6 vezes a renda mensal (Valor)
- Argentina anuncia acordo que permite exportação de carne para Japão após 20 anos (Folha)
- Primeiro-ministro britânico afirma que Reino Unido pode retornar à União Europeia (Estadão)
- Greve da Caixa, que teve fim decretado pelo TST, já atrasou concessão de crédito imobiliário (O Globo)
Mercado global de olho em dados de inflação dos EUA e sob impacto do petróleo
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade nesta quarta-feira (30), marcada pela expectativa com os resultados da Micron Technology e com os dados do PCE, indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed).
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, sustentadas pelo otimismo com inteligência artificial e chips, enquanto a queda dos rendimentos globais e do petróleo favoreceu os ativos de risco.
Ainda assim, as preocupações com a guerra no Irã e a expectativa pelos dados de inflação dos EUA mantiveram a cautela nos mercados.
Já as Bolsas da Europa, operam mistasfrente à alta do petróleo, após a forte queda da véspera, mantendo o mercado atento às incertezas sobre as negociações de paz no Oriente Médio. No cenário econômico, o PIB do Reino Unido cresceu acima do esperado no 2º trimestre, enquanto as vendas no varejo alemão avançaram em agosto, revertendo a queda anterior, mas ficaram aquém das projeções.
Agora, o foco se volta à inflação nos EUA, enquanto a Alemanha divulga o CPI preliminar de setembro.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,04%
- FTSE 100: +0,02%
- CAC 40: -0,62%
- Nikkei 225: +1,94%
- Shanghai SE Comp: +0,31%
- Hang Seng: +0,37%
- Ouro (jun): +1,53%, a US$ por 4.243,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,27%, aos 101,12 pontos
- Bitcoin: +0,52% a US$ 84.769,4
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros voltaram a subir nesta quarta-feira, após a forte queda da véspera, com as incertezas sobre as negociações entre EUA e Irã mantendo o mercado sob pressão.
Há pouco, o Brent/novembro ganhava 0,99%, cotado a US$ 103,61 e o WTI/novembro avançava 1,39%, a US$ 90,62. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,14% em Dalian, na China, cotado a US$ 104,70/ton.
Cenário internacional destaca inflação nos EUA
Nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto, principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed), trouxe nesta manhã uma leitura mais branda do que a esperada pelo mercado. O índice cheio avançou 0,3% no mês, após alta revisada de 0,1% em julho, abaixo do consenso de 0,4%. Em 12 meses, a inflação ficou em 3,4%, mesma taxa registrada no mês anterior, também após revisão, enquanto a expectativa era de alta de 3,7%.
O núcleo do PCE, que exclui os preços de alimentos e energia, subiu 0,2% em agosto, ante avanço revisado de 0,1% em julho e abaixo da projeção de 0,3%. Na comparação anual, o núcleo acumulou alta de 3%, repetindo a taxa revisada do mês anterior.
Os dados de renda e consumo mostraram, por outro lado, um desempenho mais forte dos gastos das famílias. A renda pessoal aumentou 0,2% em agosto, após alta revisada de 0,3% em julho, abaixo da previsão de 0,4%. Já os gastos pessoais avançaram 0,9%, acelerando em relação ao crescimento revisado de 0,1% no mês anterior e superando o consenso de 0,8%.
Outro dado divulgado nesta quarta-feira foi o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que apontou crescimento de 6,1%, após expansão de 3,6% no trimestre anterior. O resultado ficou abaixo da estimativa de 6,4%.
No mercado de energia, o Departamento de Energia (DoE) divulga às 11h30 os dados semanais sobre os estoques de petróleo dos EUA. Na semana anterior, os estoques haviam aumentado em 2,969 milhões de barris.
Além dos indicadores econômicos, a agenda do Fed segue movimentada ao longo do dia. Austan Goolsbee participa de eventos às 10h e às 15h, enquanto Tom Barkin tem falas previstas para as 14h30 e as 16h25, esta última ao lado de Lisa Cook.
Brasil: Eleição segue no radar dos mercados
A agenda doméstica desta quarta-feira começou com a divulgação do resultado fiscal do setor público consolidado de agosto, além do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de agosto, indicador que acompanha a evolução dos preços na porta de fábrica e ajuda a medir as pressões sobre os custos da economia.
Mais tarde, às 14h30, o Banco Central apresenta os dados do fluxo cambial semanal, colocando no radar a movimentação de recursos entre o Brasil e o exterior.
Na reta final antes do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4 de outubro, a nova pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostra um cenário de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula aparece com 39,4% das intenções de voto, ante 38,4% de Flávio, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. No segundo turno, Lula registra 48,5%, contra 48% de Flávio, também em empate técnico.
Na comparação com o levantamento divulgado em 9 de setembro, Lula passou de 38,4% para 39,4% no primeiro turno, enquanto Flávio avançou de 37,3% para 38,4%. No segundo turno, os dois haviam registrado 46% na rodada anterior. A pesquisa foi realizada por telefone entre 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: pagará R$ 512,2 milhões em debêntures participativas referentes ao primeiro semestre, abaixo dos R$ 700,5 milhões do semestre anterior.
- Enel SP: a Aneel negou novamente pedido de perícia técnica no processo que avalia possível caducidade da concessão; ainda não há decisão de mérito.
- Caixa: retomará o funcionamento integral das agências após o TST determinar o fim da greve iniciada em 10 de setembro.
- Mercado Livre: foi notificado pela Anvisa a prestar esclarecimentos sobre sua atuação no varejo farmacêutico e a venda online de medicamentos.
- GPA: recebeu aval da Susep para sua corretora própria atuar em parceria com a Willis e internalizar parte da corretagem de seguros.
- Oi: o Cade tornou definitiva, sem restrições, a aprovação da venda da UPI Oi Serviços Telefônicos para a Método por R$ 60,1 milhões.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta quarta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
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