O preço do limão tahiti ao produtor no cinturão citrícola paulista triplicou (+226%) de R$ 32,10 para R$ 104,78 pela caixa de 27,2 kg entre junho e agosto de 2026, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A disparada, provocada por chuvas excessivas que atingiram a florada no início do ano e reduziram a oferta, chega ao consumidor nos principais entrepostos do país, com aumentos de até 374% no atacado.
De acordo com a Agência Brasil, o salto ocorre em plena entressafra, período que vai de fins de maio a meados de setembro, quando a produção naturalmente cai. Mas, neste ano, a quebra foi muito mais intensa.
A média paga ao produtor do limão tahiti foi de R$ 32,10 pela caixa de 27,2 kg em junho, R$ 55,60 em julho e R$ 104,78 em agosto, o que representa o aumento acumulado de 226,4% no período.
Chuvas acima da média em julho, principalmente nas regiões de Matão e Bebedouro, no interior paulista, prejudicaram a principal florada que abasteceria o segundo semestre e também o pegamento de frutos de floradas anteriores.
Chuvas reduziram oferta e qualidade do limão
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) explica que o limão tem volatilidade alta e que o momento atual é “bem precário”. O excesso de umidade no começo do ano e o aumento de dias nublados elevaram a proporção de frutas mais claras, de menor valor comercial, e dificultaram a colheita, pressionando os preços.
Além da quebra de safra, a disputa entre mercado interno e externo — cerca de 11% da produção é exportada, principalmente para a Europa — e a maior demanda por causa do calor em agosto e setembro contribuíram para a escalada.
No cinturão citrícola paulista, que responde por 80% da produção nacional, as regiões de Bebedouro e Matão concentram aproximadamente 68% da área de limões e limas; 88% dos frutos são da variedade tahiti.
Atacado reflete alta de até 374% na Ceagesp e preços vão demorar a normalizar
No atacado, o impacto é ainda mais visível. Na Ceagesp, o maior entreposto do país, em São Paulo, o quilo do limão passou de R$ 1,82 no início da entressafra, em maio, para R$ 8,62 no pico, no fim de setembro — alta de 374%. Na CeasaMinas – Grande BH, a variação foi de 240%, com o preço subindo de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo período.
A caixa paga ao produtor em agosto deste ano ficou 71% mais cara do que no mesmo mês de 2025, reforçando o caráter extraordinário da alta.
A Conab estima que os preços devem se normalizar no fim do ano, com a chegada da nova safra. A florada afetada em julho deve gerar volume relevante apenas a partir de meados de novembro. Na última semana, os preços na Ceagesp começaram a cair, mas ainda não é possível confirmar uma tendência de queda.
Há ainda preocupação com a próxima safra: um possível El Niño forte no início de 2027 pode aumentar calor e déficit hídrico, estressando as plantas e afetando a florada no fim da primavera e início do verão. Técnicos da Conab, porém, avaliam que o fenômeno teve pouco impacto na produção deste ano.










