Após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, o BTG Pactual afirmou que vê espaço para as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) subirem entre 20% e 25% antes que o valuation (avaliação do valor da companhia) se torne uma preocupação.
Uma eventual alta dos preços dos combustíveis, que poderia melhorar a percepção dos investidores sobre a política de preços da companhia, e resultados do terceiro trimestre de 2026 acima das expectativas são apontados como fatores positivos.
Fora do cenário político, foi destacada a produção de petróleo da Petrobras. O BTG estima uma produção entre 2,9 milhões e 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMbpd), acima do guidance de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia para 2026.
Segundo o banco, os preços do petróleo e dos combustíveis também permanecem como fatores relevantes para a tese de investimento da companhia.
Os analistas afirmam que a Petrobras vem retendo caixa para reduzir a dívida bruta. A companhia tinha US$ 71 bilhões em dívida bruta no segundo trimestre e trabalha com uma meta próxima de US$ 65 bilhões, enquanto o teto estabelecido é de US$ 75 bilhões.
Caso o Brent permaneça acima de US$ 90 por barril nos próximos meses, o banco avalia que a estatal poderá acumular caixa excedente, que eventualmente poderia ser distribuído aos acionistas por meio de dividendos extraordinários.
Como fica o valuation da Petrobras com a alta da ação
No relatório, o BTG avaliou como os indicadores podem mudar caso as ações avancem, considerando um cenário em que o petróleo Brent, referência internacional da commodity, permaneça em US$ 80 por barril.
Nesse cenário, se as ações subirem 20%, o retorno estimado do fluxo de caixa ao acionista seria de 14,6% nos próximos 12 meses, enquanto o dividend yield ficaria em 9,9%. Com uma alta de 25%, os indicadores cairiam para 14% e 9,5%, respectivamente. Já se os papéis avançarem 30%, o retorno do fluxo de caixa seria de 13,5%, e o dividend yield, de 9,2%.
Na prática, quanto mais a ação sobe, menor tende a ser o retorno percentual representado pelos dividendos e pelo fluxo de caixa distribuível, mantendo as demais premissas constantes.
Mudança de governo pode afetar desinvestimentos
O banco também avalia que uma eventual mudança no governo não produziria alterações imediatas na Petrobras, já que mudanças relevantes na companhia poderiam levar tempo para afetar a operação e os resultados.
Por isso, considera que o preço do petróleo, os preços dos combustíveis e as margens de refino continuariam entre os principais fatores para as ações, além do risco-país e do custo de capital da estatal.
Entre as possíveis mudanças, está a retomada do programa de desinvestimentos, que envolve a venda de ativos. Segundo o BTG, os recursos obtidos poderiam ser destinados a dividendos extraordinários ou ao financiamento de investimentos, incluindo projetos na Margem Equatorial.










