Apesar da alta de 8% do Ibovespa nesta segunda-feira (5), aos 207 mil pontos, após o primeiro turno das eleições presidenciais terminar com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança e a expectativa do mercado na substituição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o BTG Pactual aponta que setores como siderurgia e mineração podem ser impactados no longo prazo.
Para a equipe do banco, o resultado pode provocar uma reação positiva inicial nas ações, mas a forte exposição das companhia do setor ao mercado externo, e consequentemente ao dólar — que cai mais de 4% —, deve reduzir, em reais, os lucros nos próximos balanços trimestrais.
Entre as empresas brasileiras com cobertura do BTG, a Dexco (DXCO3) se destaca como a mais exposta à economia doméstica dentro da cobertura do banco. A companhia pode se beneficiar de juros menores e de uma eventual melhora da atividade econômica. Das ações citadas em relatório nesta tarde, a companhia registra a maior alta no dia, com avanço de 9,72%.
A empresa possui alavancagem de 2,7 vezes a dívida líquida em relação ao EBITDA, indicador que compara a dívida de uma companhia com sua geração operacional de caixa. Mais de 50% da dívida da Dexco está atrelada ao CDI, o que aumenta a sensibilidade da companhia ao nível dos juros.
Vale pode subir com fluxo estrangeiro, mas real forte pesa nos lucros
Para a Vale (VALE3), o BTG separa o impacto dos fluxos financeiros daquele observado nos fundamentos da companhia. A mineradora tem pouca exposição à demanda doméstica e receitas majoritariamente vinculadas ao dólar. Ao mesmo tempo, parte relevante dos custos está em reais.
Apesar da expectativa de um bom desempenho nos próximos pregões, a Vale cai 1,11% nesta segunda, sendo uma das sete empresas em queda no Ibovespa.
O BTG, porém, alerta para o peso da Vale nos índices acionários brasileiros, e afirma que ela pode receber recursos de investidores estrangeiros em um movimento de entrada de capital no país.
Nesse cenário, a companhia pode participar de uma alta inicial da Bolsa. O movimento, no entanto, estaria mais relacionado a fluxo financeiro e expansão de múltiplos do que a uma melhora dos lucros.
Gerdau, CSN e Usiminas têm exposições diferentes, segundo BTG
O relatório também questiona a percepção de que as siderúrgicas brasileiras sejam, necessariamente, teses ligadas ao mercado doméstico. Na Gerdau (GGBR4), por exemplo, a América do Norte representou 74% do EBITDA consolidado no segundo trimestre de 2026, enquanto o Brasil respondeu por cerca de 20%.
A CSN (CSNA3), por sua vez, apresenta uma exposição relevante ao minério de ferro e maior alavancagem financeira. A dívida líquida correspondia a 3,49 vezes o EBITDA no segundo trimestre.
Já a Usiminas (USIM5) aparece, segundo o BTG, como a companhia com exposição mais direta ao Brasil dentro do universo analisado.
O banco destaca ainda que os preços do aço no mercado brasileiro são influenciados pela paridade de importação. Isso significa que o preço doméstico tende a considerar quanto custaria trazer o produto do exterior. Com o real mais valorizado, esse preço de referência em reais cai, o que pode pressionar os preços do aço no mercado brasileiro.
O BTG, portanto, não vê uma mudança estrutural nos fundamentos de Gerdau e Usiminas decorrente de um cenário de valorização dos ativos brasileiros. A CSN seria uma exceção parcial devido à sua exposição aos juros domésticos e à estrutura de endividamento.
Suzano é mais sensível ao real e tem maior queda do Ibovespa
O segmento de papel e celulose aparece como o mais exposto negativamente a um cenário de valorização do real, segundo o relatório. A Suzano (SUZB3) tem cerca de 81% da receita consolidada proveniente de exportações. Na Klabin (KLBN11), os mercados externos representaram 33% da receita no segundo trimestre de 2026.
Ambas as companhias operaram em queda neste início de semana, sendo que a Suzano amarga a maior queda (-5,37%) do Ibovespa desde a abertura do pregão. Os papéis KLBN11 caem 0,91%
Segundo o BTG, a diferença de exposição faz com que a sensibilidade cambial seja maior para a Suzano. De acordo com o banco, uma valorização de 10% do real reduziria o EBITDA da Suzano em cerca de 15%. Para a Klabin, o impacto seria de um dígito alto.
A Klabin possui maior exposição ao mercado doméstico por meio do segmento de embalagens, o que pode reduzir parte do efeito cambial.
Ainda assim, as duas companhias têm exposição relevante aos preços da celulose em dólar e uma parcela significativa dos custos em reais. Além disso, o BTG observa que as estruturas de dívida das empresas são predominantemente denominadas em dólar, limitando o benefício direto de uma queda dos juros brasileiros.










