O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta segunda-feira (5) em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, em reação ao resultado do primeiro turno das eleições e às expectativas do mercado para o cenário fiscal.
A valorização fez o índice superar, pela primeira vez, os 200 mil pontos, renovando tanto o recorde de fechamento nominal quanto em termos reais, ou seja, considerando a inflação. Foi a maior valorização diária desde 24 de março de 2020 (+9,69%).
O movimento ocorreu no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais. Analistas atribuíram o desempenho à vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas e à avaliação dos investidores sobre as possíveis consequências do resultado para a política econômica.
Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, os investidores estão bastante otimistas com uma possível alternância de poder e acreditam que o candidato poderá adotar mais ajustes fiscais que contribuam para reduzir a relação dívida/PIB.
O candidato terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O desempenho do PL nas eleições para o Congresso também entrou nas contas do mercado diante das expectativas sobre a capacidade de aprovação de medidas em um eventual governo.
Na sessão, o volume movimentado chegou a cerca de R$ 79 bilhões, acima da média dos pregões. No ano, a Bolsa brasileira acumula valorização de 28,4%.
Bolsa supera recorde corrigido pela inflação
A máxima anterior de fechamento havia sido registrada em 14 de abril de 2026, aos 198.657,33 pontos. Naquela sessão, o Ibovespa havia atingido 199.355 pontos durante o pregão. Corrigido pelo IPCA, indicador oficial de inflação do Brasil, esse nível corresponderia atualmente a cerca de 203.063 pontos.
Com o fechamento desta segunda-feira aos 206.911 pontos, o índice também ultrapassou essa referência. O recorde real permite comparar o nível da Bolsa em diferentes períodos, descontando a perda de poder de compra provocada pela inflação.
Destaques do Ibovespa
Os bancos concentraram os maiores ganhos do pregão. O BTG Pactual disparou 22,52%, seguido pelo Bradesco, com alta de 13,57%. O Banco do Brasil avançou 11%, enquanto o Itaú ganhou 10,37%. O Santander subiu 2,63%.
O índice que mede o setor (IFNC) disparou 14,2%, em meio à expectativa de investidores sobre juros, atividade econômica e política fiscal após o primeiro turno.
As ações da Petrobras também avançaram, subindo 6,68% (ON) e 8,19% (PN), mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional. Na direção contrária, a Vale recuou 0,97%. O mercado permaneceu sem a referência do minério de ferro devido ao feriado na China.
Entre as maiores altas do dia ficaram Magazine Luiza (+24,18%), Cosan (+23,79%) e B3 (+22,58%). Já entre as quedas, estiveram Suzano (-5,39%), Embraer (-3,31%) e Gerdau (-1,19%).










