As operações de fusões e aquisições (M&As) de até R$ 100 milhões somaram 162 transações no primeiro semestre de 2026, queda de 25% na comparação anual. Apesar do recuo, os negócios de menor porte representaram 60,7% das 267 transações com valores divulgados no período, segundo levantamento da KPMG.
Nos seis primeiros meses de 2025, foram registradas 217 operações de até R$ 100 milhões, de um total de 334 transações com valores conhecidos.
O sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra, avalia que as operações de menor valor continuam presentes no mercado mesmo diante dos juros em patamar restritivo, das incertezas fiscais em ano eleitoral e da volatilidade externa.
“Essas movimentações são destaques devido aos investimentos, principalmente, em startups e fintechs, associados ao avanço da inteligência artificial e da digitalização”, diz Coimbra.
Imobiliário lidera fusões e aquisições de menor porte
Entre os 12 setores identificados pela KPMG nas transações de até R$ 100 milhões, o mercado imobiliário liderou, com 42 operações no primeiro semestre. Tecnologia, mídia e telecomunicações ficaram em segundo lugar, com 39 transações, seguidas por serviços financeiros, com 19.
Entre os estados, São Paulo concentrou a maior quantidade de negócios, com 90 operações, que somaram R$ 3,1 bilhões. O Rio de Janeiro registrou 14 transações, no valor de R$ 522 milhões, enquanto Minas Gerais teve 13 negócios, que totalizaram R$ 421 milhões.
Startups e fintechs captam recursos
Entre as operações de menor porte anunciadas no semestre, a Beepay, startup brasileira de tecnologia para checkout autônomo, levantou R$ 2 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela Comunitá. Também participaram Sicredi, Acate Invest e Ventiur.
A Oxus Finance, fintech especializada em pagamentos transfronteiriços, captou cerca de R$ 12 milhões. A rodada foi liderada pela Echo3 Participações e contou com a participação da Underblock, Boost Research, Defiers e investidores-anjo, entre eles Ernani Assis.
Compradores estratégicos lideram negócios
Das 162 operações de até R$ 100 milhões, 86 foram classificadas como estratégicas e 76 envolveram fundos de private equity ou venture capital.
Nas operações estratégicas, o comprador já atua no setor da empresa adquirida ou espera obter benefícios operacionais com a aquisição, como ampliar sua atuação ou integrar atividades. Já os fundos de private equity e venture capital investem em empresas por meio da compra de participações ou do controle do negócio, buscando retorno financeiro futuro.
Coimbra afirma que esses fundos têm direcionado recursos para empresas ligadas à transformação tecnológica. Segundo o executivo, a procura por soluções digitais capazes de automatizar processos, reduzir despesas e preservar margens tem contribuído para atrair investimentos ao segmento.










